Para que serve este blogue?

Este blogue foi criado para servir de suporte à divulgação de trabalhos académicos que realizei ao longo da minha licenciatura em Sociologia, do meu mestrado em Ciências do Trabalho e Relações Laborais e do meu Doutoramento, que estou a frequentar, em Sociologia.

Sem pretender atribuir aos trabalhos uma importância que provavelmente não têm, creio, contudo, que estes podem servir de referência a estudantes e/ou pessoas em geral que tenham interesse pelas temáticas relacionadas com a Sociologia e logo relacionadas com todos nós.

Apesar do objetivo central do Blogue ser aquele que atrás se menciona, por vezes sou tentado a apresentar a minha opinião sobre algum tema que julgue sociologicamente relevante.

A minha opinião sobre temas actuais não está prisioneira do rigor metodológico e conceptual a que estão obrigados os trabalhos académicos.

C.Santana

terça-feira, 17 de abril de 2012

Pensamento Único...

Estamos num momento da história em que nos querem vender a ideia – a maioria de nós parece comprar essa ideia – que a crise económica e social que vivenciamos apenas poderá ser solucionada de uma única maneira. 

Essa via de sentido único suporta-se no liberalismo que defende, entre outas ideias, que a economia deve ser controlada por interesses privados.

Não deixa de ser curioso que uma sociedade que nunca foi tão plural noutros aspectos, como a cultura e a moral, se deixe convencer que em termos políticos e económicos apenas existe uma solução.

O que ainda é mais estranho é que quem dirige partidos políticos com designações como social-democrata ou socialista, enverede pelo caminho do pensamento único deixando cair a ideologia que suporta os seus próprios partidos.

Por tudo isto é sempre de aplaudir, pelo menos eu aplaudo, alguém que tem a coragem de pensar de forma diferente. 

Quando em Portugal a palavra de ordem é privatizar. Alienar tudo o que é do Estado não interessa a quem nem como, na Argentina a Presidente daquele país teve a coragem política de nacionalizar a empresa que controla o mercado dos combustíveis.

A Espanha numa atitude de colonialismo económico já ameaçou a Argentina referindo que quem ataca as empresas espanholas ataca a Espanha.

É bom que as multinacionais, detidas por pessoas sem rosto, percebam que ainda existem líderes políticos com força e determinação para lhes fazer frente.

Quando estes líderes desaparecerem acabam os Estados Nação e todos os países passam a ser governados como presentemente é governado Portugal. Não por lideres eleitos pelo povo mas por tecnocratas que defendem interesses mais ou menos obscuros.

domingo, 1 de abril de 2012

A Marmita...

A marmita. 
Existem marmitas de várias cores, feitios e materiais.
A marmita é por excelência um símbolo do operariado. Se preferirmos do proletariado.
Os proletários, devido à falta de locais próprios para a preparação das refeições, eram obrigados a levar a sua refeição de casa em recipientes que fossem apropriados ao transporte das mesmas. 
As marmitas em alumínio e de formato cilíndrico eram das mais utilizadas no século passado. Eu próprio, durante a curta experiência que tive de trabalho na construção civil, levava a minha marmita de alumínio para a “obra”.
Se a marmita era utilizada pelos proletários, devido à falta de condições existentes nas empresas para a preparação das refeições, a verdade é que as questões financeiras, devido aos baixos salários, eram sem dúvida o principal motivo.
A marmita era de facto um símbolo identitário da classe proletária. Quase que se poderia dizer: proletários de todos os países usem a marmita.
Se a marmita era um símbolo do proletariado o que se passa nos dias de hoje?
Tenho observado nos últimos tempos que cada vez mais a marmita passou a ser uma opção para outros estratos da população. No local onde trabalho vários são os colegas que aderiram à marmita.
Quem utiliza os transportes públicos ou observa o que se passa nas ruas das nossas cidades pode verificar o número crescente de indivíduos que “carregam” a sua marmita.
Se a marmita era de alguma forma estigmatizante para quem trabalhava no sector dos serviços e utilizava fato e gravata, parece que o estigma está a desaparecer.
Importa pois perguntar por que motivo os “engravatados” aderiram à marmita? 
A resposta não será apenas uma. Contudo, creio que as questões financeiras serão um dos motivos mais decisivos. Outras respostas surgirão, tais como: a necessidade de fazer uma alimentação mais equilibrada; não haver tempo para tomar uma refeição em restaurantes; etc.
Contudo, penso que deveríamos ponderar se não existirá uma razão mais profunda que justifique esta alteração de comportamento.
Marx falava da proletarização de todas as áreas de actividade. Ou seja, os proletários não são apenas os que trabalham na indústria mas todos os trabalhadores que têm uma relação salarial dependente. Isto é, os trabalhadores por conta de outrem.
Obviamente que o proletariado tradicional não se caracterizava apenas pelo facto da relação laboral se basear no salariato. Caracterizava-se pelas más condições de trabalho, pela remuneração baixa, pela precariedade, pela jornada de trabalho longa. Isto ocorria com o proletariado do século XIX e parte significativa do século XX.
Se a distinção entre “colarinhos brancos” e “colarinhos azuis” era algo característico dos chamados anos dourados do capitalismo (década de 1950 até finais da década de 1970), a verdade é que presentemente parece cada vez fazer menos sentido essa distinção. Os “colarinhos brancos” estão a ficar encardidos e os “colarinhos azuis” são uma espécie em vias de extinção.
Como tal, assumamos todos, os que se dão ao luxo de ter um trabalho, a condição de proletários. Somos de facto proletários. Quem usa fato e gravata ou quem usa fato de macaco está confrontado com a mesma realidade: desemprego, precariedade, baixos salários, prolongamento do tempo de trabalho. Só se ganharmos consciência que estamos todos no mesmo barco poderemos unir esforços em busca de algo melhor.
Parece que a principal razão do sucesso da marmita radica na proletarização da esmagadora maioria das actividades profissionais.

sexta-feira, 16 de março de 2012

O Desemprego e a Troika

Presentemente todos os actores sociais estão de acordo que a taxa de desemprego em Portugal atingiu níveis verdadeiramente preocupantes.

Todos são unanimes apesar de nem sempre partilharem os mesmos argumentos.
A taxa de desemprego atinge todas as categorias profissionais, ambos os sexos e indivíduos de todas as idades.

A precariedade vai minando um pouco por todo o lado as diferentes categorias profissionais e a insegurança generaliza-se.

Os mais novos sentem particulares dificuldades no acesso ao emprego devido à sua falta de experiência profissional e os mais velhos são empurrados dos empregos que mantinham há mais ou menos tempo e dificilmente conseguem regressar ao mercado de trabalho.
A discriminação etária relativamente aos trabalhadores mais velhos é algo evidente e apesar de ser proibida por lei, como é hábito neste país, ninguém é punido.
Apesar de toda esta tragédia social o Governo acabou de publicar mais uma alteração ao regime de protecção no desemprego.

O decreto-lei 64/2012 de 15 de Março reduz drasticamente o tempo de protecção social no desemprego dos trabalhadores com mais de 45 anos de idade. O regime anterior previa uma protecção que poderia atingir os 36 meses enquanto que o actual corta essa protecção para metade (18 meses). Prevê igualmente a redução do valor do subsídio de desemprego em 10% após atingidos os 6 meses de desemprego. Quanto a esta última alteração legislativa, refere o governo de forma irónica que é uma medida que visa “…incentivar a procura ativa de emprego por parte dos beneficiários.”

Se o objectivo é incentivar a procura de emprego e se por essa via se resolvem os problemas, pergunto: porque motivo não se termina com o subsidio de desemprego? Dessa forma os indivíduos desempregados estavam muito mais incentivados a procurar emprego logo a partir do momento em que ficam desempregados.

No que concerne ao desemprego dos trabalhadores mais velhos é por demais evidente que uma parte significativa destes, por questões de discriminação promovida pelas entidades empregadoras, por falta de qualificações ajustadas ao mercado de trabalho ou por qualquer outra razão, vão ficar fora do mercado de trabalho até atingirem a idade da reforma. A verdade é que as políticas que visam o que vulgarmente se convencionou chamar de envelhecimento activo são na sua generalidade hipocrisia política. Hipocrisia pelo facto de serem necessárias mais do que boas intenções. Hipocrisia política e desnorte. Há não muito tempo a política da generalidade dos países na União Europeia ia exactamente no sentido oposto. Isto é, na diminuição da idade da reforma e no estabelecimento de planos que permitiam que os trabalhadores beneficiassem de mecanismos de pré-reforma.

O mais estranho ou talvez não é o facto das medidas que o decreto-lei 64/2012 de 15 de Março vem instituir e que penalizam os trabalhadores mais velhos serem implementadas num período de crise aguda de desemprego. Se o mercado de trabalho estivesse em pleno emprego talvez estas fizessem algum sentido. Assim, não passam de medidas mais uma vez instigadas pelo voraz apetite neoliberal do governo e dos seus parceiros da Troika.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A Grande Pequena China...

Ontem estava a assistir ao noticiário da RTP 2, que recomendo, quando foi transmitida uma reportagem sobre as condições de trabalho numa fábrica chinesa. Nada de muito original. Já passaram diversas reportagens sobre as péssimas condições de trabalho oferecidas por muitas empresas, em particular industriais, que laboram na china.
Contudo, ao contrário do que costuma ser apresentado tratava-se de uma fábrica tecnologicamente avançada e que produzia um dos produtos mais desejados pelos consumidores compulsivos. Nada mais, nada menos do que a fábrica que constrói o I PAD da Apple.

É verdade, o I PAD. Um dos novos símbolos que supostamente conferem status social. Mais um produto que serve para diferenciar as pessoas não pelo que realmente são mas pelo que possuem.

Na dita reportagem foi entrevistada, a medo, uma das operárias. A única tarefa executada por esta operária consistia na colocação do símbolo da Apple na tampa do I PAD. Durante todo o dia de trabalho qua não era curto limitava-se a fazer de forma repetida e sistemática esta simples função.

O que mais me impressionou foi o facto de esta trabalhadora nunca ter visto um I PAD a funcionar. Simplesmente desconhecia aquilo que estava a produzir. Teve pela primeira vez contacto com um I PAD quando o jornalista que a entrevistou lhe apresentou o aparelho e a deixou manipulá-lo.

Se lermos alguns relatos de episódios passados em fábricas na Europa e nos EUA nos finais do século XIX e inícios do Século XX percebemos que as coisas não mudaram muito. Se lermos relatos apresentados por Karl Marx, Engels e outros percebemos que a realidade nas fábricas do Século XIX é em tudo semelhante ao que se passa em muitas fábricas que vão surgindo nos países ditos emergentes.

O que a operária da fábrica da Apple demonstrava era uma completa alienação relativamente ao produto que ajuda a construir. Alienação. É verdade. Conceito Marxista muitas vezes dificilmente entendido pelos estudantes de Economia do Trabalho ou de Sociologia do Trabalho. Estou certo que esta reportagem ajudou a clarificar o que Marx queria dizer quando se referia à alienação face ao produto.

Esta fábrica era tão sinistra que simplesmente tinha retirado o direito aos operários de se libertarem pelo suicídio. É verdade. Como a taxa de suicídio era muito elevada, a direcção da fábrica resolveu colocar redes de protecção para aparar a queda dos operários que se atiravam pelas janelas. Esta fábrica é o mundo dos operários. É nela que passam 6 dias por semana. Lá trabalham, comem, dormem e muitas vezes morrem. 

As fábricas na china recorrem às mais retrogradas técnicas de organização do trabalho criadas por Taylor e potenciadas por Ford: Intensificação desmedida da divisão do trabalho, separação entre trabalho de concepção e trabalho de execução. Afinal pouco ou nada mudou em 200 anos de revolução industrial.

O que parece ter mudado é a latitude em que os produtos são fabricados. Mudou igualmente o conceito de divisão do trabalho entre concepção e execução. Se no século XIX e inícios do Século XX esta separação era efectuada dentro da unidade de produção, presentemente a separação é feita entre países que concebem e países que executem. Entre países que criam valor pela inovação e design e países que utilizam mão-de-obra escrava para darem forma aos produtos criados nos países ricos. Separação entre quem cria símbolos de poder e quem apenas tem como destino produzir uma ínfima parte desses símbolos.

O mais irónico é que os países ricos não percebem que os indivíduos que vivem nos países ricos estão a ficar sem sítio onde trabalhar. Nem todos têm capacidade de serem criadores de novos símbolos. A maioria precisa de ser o “mero” executante para sobreviver. Resta saber se preferimos executantes com algumas condições de vida ou se preferimos escravizar outros povos e deixar na miséria grande parte dos indivíduos que vivem nos países ricos.

Contrastando com esta reportagem assistimos a mais um momento bucólico de assinatura de mais uma compra por parte da china de uma empresa portuguesa.

Como hoje se comemoram os 25 anos da morte de Zeca Afonso, nada melhor do que terminar com um verso de uma canção sua: «Eles comem tudo e não deixam nada…» (do Album Vampiros)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

David e Golias...

Era uma vez uma pequena empresa de um pequeno país chamado Portugal. A pequena empresa situava-se em Setúbal e devido à inteligência dos seus colaboradores conseguiu desenvolver um conjunto de fórmulas químicas que resultaram na produção de um produto de excelência.

Esse produto de excelência, tintas para pintura de navios, foi considerado como um dos melhores do mundo.

De repente, do outro lado do Atlântico, chegou um gigante com alguns milhões no bolso. Esse gigante que veio das terras do Tio Sam Americano resolveu encher os bolsos do dono da pequena empresa que fabricava tintas. O dono obviamente que aceitou os milhões que lhe ofereceram. De repente, o gigante depois de se ter apoderado das fórmulas que lhe permitiam produzir uma das melhores tintas do mundo, resolveu fechar a pequena empresa.

Moral da história. Viva o investimento estrangeiro. Viva o despedimento colectivo de todas as pessoas que trabalhavam na pequena empresa de gente com grandes cérebros.

Uma Administração Kafkiana

Digam-me vocês o que acham disto: Os Serviços da Administração Pública devem ter como referência na sua actuação, designadamente, a resolução dos problemas dos cidadãos. A resolução dos problemas dos Cidadãos deve ser conduzida de forma a não criar constrangimentos ao Cidadão e a evitar que este tenha que suportar custos desnecessários para a resolução dos seus problemas.

Uma outra regra que a Administração Pública deve prosseguir é a de evitar convocar os Cidadãos a comparecerem nos serviços sem que essa comparência lhes traga uma mais valia. Isto é, a Administração apenas deve convocar o Cidadão caso a comparência deste seja estritamente necessária. Todos os demais contactos devem ser desenvolvidos sem que a comparência do Cidadão nos Serviços da Administração seja necessária.

Até aqui está tudo muito bem. Estamos a falar de procedimentos que estão fundados no bom senso e nas regras da razoabilidade.

Agora uma situação concreta. Um Cidadão necessita de um serviço da Administração Pública. Dirige-se aos Serviços respectivos e solicita o serviço. Passado algum tempo é contactado para comparecer no Serviço da Administração Pública. Na sequência dessa chamada é proposta ao cidadão uma determinada solução para o seu problema. O Cidadão aceita e aguarda que se concretize essa solução.

Passados mais de 3 meses a solução tarda. Então, a Administração, pelo facto do Cidadão não contactar com os serviços, resolve convocar o Cidadão. Acontece que a Administração não tem nada de novo para dizer ao Cidadão. Nem a solução anteriormente equacionada se concretizou, nem outra solução está em carteira. Ou seja, a Administração assume a sua incompetência e resolve chamar o Cidadão para lhe dizer que não tem nada para lhe dar. Acresce que caso o Cidadão não compareça na data e local determinado pela Administração vê o seu processo anulado e fica impedido de solicitar apoio à Administração durante um determinado período de tempo.

Quando esse Cidadão é alguém que não tem rendimentos de qualquer espécie e precisa de gastar 7 ou 8 Euros para se deslocar aos Serviços da Administração a coisa fica ainda mais estranha.

Parece estranho mas é mesmo assim. Vou resumir: A Administração acha-se no direito de convocar um Cidadão para lhe dizer que não tem nenhuma solução para o seu problema e para o informar que a solução anteriormente equacionada ainda não se concretizou. Se o cidadão não comparecer, mesmo que essa não comparência se deva ao facto de não ter dinheiro para pagar as deslocações, vê o seu processo ser anulado e fica impossibilitado de requerer o apoio da Administração Pública durante um determinado período de tempo.

É verdade. Quando forem convocados para uma situação deste género, peço-vos que se lembrem que o desgraçado do Agente do Estado, vulgo Funcionário Público que vos está a atender não tem responsabilidade directa nesse facto. Foi alguma chefia brilhante que se lembrou que esse seria o procedimento correcto.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

As Siglas...

P.S.D……

As siglas costumam ter alguma importância. As siglas são uma espécie de marcas. Marcas às quais os consumidores se fidelizam. A fidelização dos clientes é uma das mais-valias do capitalismo. As marcas transmitem segurança, identidade e status. Sentimo-nos bem ao identificarmo-nos com uma marca.

Contudo, as marcas têm uma vida difícil. Caso traiam a sua identidade os consumidores ficam apre...ensivos e mudam de território.

P.S.D.

Quando optamos por uma marca; seja ela de automóveis, de produtos para lavar os dentes, de ténis para correr ou de qualquer outra coisa, esperamos um certo resultado. Coerência, solidez, soluções.

P.S.D.

Quando essa marca é politica, esperamos o quê? Defesa de valores. De princípios. De ideais!!!

Ideais. Ou seja, formas de pensar, sentir e agir. Formas de ver o mundo. Formas de nos organizarmos em sociedade. Maneiras de convivermos.

Os ideais contam!!! São a identidade das marcas a que aderimos.

P.S.D.

Normalmente as marcas utilizam acrónimos para que as consigamos interiozar de forma mais fácil e imediata.

Quando falamos de partidos políticos, ou de grupos de interesse, como lhes chamava Max Weber, as marcas ganham uma relevância social mais significativa.

P.S.D.

Os acrónimos transmitem ideias. Pretendem que os indivíduos identifiquem de forma fácil as ideias que estão condensadas em poucas letras.

P.S.D. – Partido Social Democrata. Partido político que baseia a sua acção na social-democracia.

A social-democracia é uma ideologia política que nasceu no século XIX na Alemanha.

A Social-democracia defende:

«Envolvimento alargado do Estado na vida social e económica, primazia do Estado sobre a sociedade civil, colectivismo, administração de raiz Keynesiana, juntamente com a defesa de interesses de classe, limitação do papel do mercado: economia mista ou social…igualitarismo forte…» (Giddens, 1999 – Para Uma Terceira Via).

Com base nestes princípios, os “consumidores” da social-democracia esperam encontrar estas características num produto que tem um rótulo que diz: P.S.D.

Quando o produto adquirido não tem as características identificadas no rótulo estamos na presença de uma fraude.

É verdade. O P.S.D. é uma fraude. De quem será a culpa? Dos eleitores (consumidores)? Dos dirigentes? De ambos?

A verdade é que quem é eleitor do P.S.D. está a comprar gato por lebre!

Os eleitores podem dizer: as circunstâncias da crise exigem posições determinadas. Certo. É verdade. Mas será que a social-democracia não consegue encontrar as soluções no seu espectro ideológico? Se não consegue é porque a social-democracia está acabada.

Quanto aos dirigentes do P.S.D. das duas uma: ou dirigem um partido em que não acreditam ou não sabem o que é a social-democracia.

Se não acreditam no partido estão a enganar os seus eleitores. Se não sabem o que é a social democracia estão-se a enganar a eles próprios.

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