Para que serve este blogue?

Este blogue foi criado para servir de suporte à divulgação de trabalhos académicos que realizei ao longo da minha licenciatura em Sociologia, do meu mestrado em Ciências do Trabalho e Relações Laborais e do meu Doutoramento, que estou a frequentar, em Sociologia.

Sem pretender atribuir aos trabalhos uma importância que provavelmente não têm, creio, contudo, que estes podem servir de referência a estudantes e/ou pessoas em geral que tenham interesse pelas temáticas relacionadas com a Sociologia e logo relacionadas com todos nós.

Apesar do objetivo central do Blogue ser aquele que atrás se menciona, por vezes sou tentado a apresentar a minha opinião sobre algum tema que julgue sociologicamente relevante.

A minha opinião sobre temas actuais não está prisioneira do rigor metodológico e conceptual a que estão obrigados os trabalhos académicos.

C.Santana

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Cibernética e a Teoria Geral dos Sistemas

A cibernética parte do pressuposto que tudo é comunicação. Constitui-se como uma ciência «…da comunicação e do controlo, nos sistemas….»[1]

Introduz igualmente o princípio da circularidade. Ou seja, o mecanismo de feedback é entendido como um meio de interactividade que permite que a informação ou energia circule e se configure como algo sistémico (holístico).[2]

Como nos diz Nogueira Dias «Paralelamente à criação da cibernética, desenvolve-se a teoria geral dos sistemas…».[3] Esta teoria, que se pretendia configurar como um paradigma transversal a diversas áreas científicas, propunha «…uma nova visão holística, como contra ponto da perspectiva simplificadora e atomizada de Descartes.».[4]

A teoria geral dos sistemas (TGS) defende, tal como a Cibernética, que a sucessiva divisão da ciência em áreas especializadas faz com que cada uma das áreas científicas fique enredada no seu casulo e a informação não flua. Isto é, cada área científica tende a funcionar como um sistema fechado e logo sujeito a processos entrópicos.

Podemos pois encontrar uma linha de intercepção e de concordância entre as perspectivas cibernética e a teoria geral dos sistemas. Quer isto dizer que ambas propõem uma visão global e integradora.

A TGS é uma “criação” de um Biólogo – Bertallanfy – e vem recuperar de alguma forma a metáfora orgânica proposta no século XIX por Herbert Spencer e por Durkheim. Esta teoria é desenvolvida em diversas fases entre os anos de 1950 e 1968.[5]

Para Bertallanfy um sistema é um todo composto por várias componentes interdependentes. Um sistema é sempre algo que está dentro de um universo (sistema) mais amplo.[6] Outra característica do sistema é o facto de este ser «qualitativamente superior à soma das partes que o compõem.»[7].

Outro princípio da TGS defende a existência de sistemas fechados que não interagem com o meio ambiente envolvente e de sistemas abertos que são permeáveis a elementos externos ao próprio sistema.

No caso dos sistemas abertos a troca de informação faz-se pela transferência de energia ou de informação.[8] Também neste aspecto existe uma relação evidente entre a TGS e a cibernética.

A troca de informação ou de energia entre os sistemas é igualmente um princípio cibernético.[9]

Tanto a cibernética como a TGS fazem parte daquilo a que Nogueira Dias refere como sendo o Paradigma Comunicacional em que os seus principais elementos são os conceitos de retroacção (de feedback) de holismo e de complexidade.[10]



[1] Fernando Nogueira Dias, Sistemas de Comunicação, de Cultura e de Conhecimento, Instituto Piaget, 2ª edição, Lisboa, 2007, p. 47.

[2] Idem.

[3] Idem.

[4] Idem.

[7] Fernando Nogueira Dias, Op. Cit., p. 47.

[8] Retirado de http://www.lyfreitas.com/pdf/tgs.pdf, Novembro de 2009.

[10] Fernando Nogueira Dias, Op. Cit., p.52.

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