Para que serve este blogue?

Este blogue foi criado para servir de suporte à divulgação de trabalhos académicos que realizei ao longo da minha licenciatura em Sociologia, do meu mestrado em Ciências do Trabalho e Relações Laborais e do meu Doutoramento, que estou a frequentar, em Sociologia.

Sem pretender atribuir aos trabalhos uma importância que provavelmente não têm, creio, contudo, que estes podem servir de referência a estudantes e/ou pessoas em geral que tenham interesse pelas temáticas relacionadas com a Sociologia e logo relacionadas com todos nós.

Apesar do objetivo central do Blogue ser aquele que atrás se menciona, por vezes sou tentado a apresentar a minha opinião sobre algum tema que julgue sociologicamente relevante.

A minha opinião sobre temas actuais não está prisioneira do rigor metodológico e conceptual a que estão obrigados os trabalhos académicos.

C.Santana

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Rituais e Símbolos de Natal

O NATAL

O Natal, enquanto celebração do nascimento de Cristo, começou a ser comemorado no século IV por determinação do Papa Júlio I.

Foi este Papa que estabeleceu o dia 25 de Dezembro como data do nascimento de Cristo. 

Apesar de se desconhecer a data real do nascimento de Cristo, a escolha do dia 25 e em particular do mês de Dezembro para comemoração do Natal, não é algo que se possa considerar inocente.

Era neste período que se celebravam as festividades Pagãs. As festas em honra do Deus Saturno (Saturninas), celebradas pelos Romanos e as festas do Solstício de Inverno comemoradas pelos povos Celtas e Germânicos.

Ao cristianizar este período do ano, Júlio I, pretendeu esvaziar a importância das festas Pagãs e destacar a relevância de Cristo e do seu nascimento para a Humanidade.

Com o passar dos séculos, as festividades Pagãs quase que acabaram por desaparecer, sendo que alguns rituais que persistiram se confundem com a própria comemoração do Natal Cristão.

Por outro lado, Júlio I pretende atribuir a Cristo uma dimensão Astral. Cristo configura-se como um novo Sol que (re)nasce todos os anos.

Tal como as celebrações de Natal, também o calendário que rege o nosso quotidiano não foi sempre o mesmo.

Na realidade apenas no século XVI (1582), foi estabelecido o calendário Gregoriano, pelo Papa Gregório XIII.

Este calendário foi generalizado gradualmente a todo o Ocidente durante um período de quase 3 séculos.

A razão da sua criação deveu-se ao facto de terem sido identificados erros de cálculo relativos à duração do ano solar e como tal ser necessário substituir o antigo calendário Juliano instituto por Júlio César no ano 44 a.c..

Por curiosidade pode referir-se que no ano da sua implementação, o mês de Outubro foi encurtado em 10 dias.

A igreja Cristã Ortodoxa, apesar de não atribuir ao nascimento de Cristo a mesma relevância dada pela igreja Católica, comemora o Natal regendo-se pelo calendário juliano.

Símbolos de natal
O Presépio

A palavra presépio quer dizer estábulo, curral, local de recolhimento do gado.

Contudo, o presépio representa o local e o ritual de nascimento de Cristo.

Terão sido os Franciscanos (século XIII) pela mão de São Francisco de Assis a criarem a ideia de presépio que hoje conhecemos.

São Francisco de Assis em 1223, terá decidido celebrar a missa de Natal no interior de uma gruta situada na floresta de Greccocio. Para representar o nascimento de Cristo, utilizou dois animais vivos – um burro e uma vaca – e três figuras representando José, Maria e Jesus.

Desta forma São Francisco de Assis pretendeu explicar ao povo, de forma quase teatral, o nascimento de Cristo.

Contudo, o presépio tal como hoje o representamos terá surgido no século XVI em Itália.

Árvore de Natal
A Árvore de Natal tem igualmente origem em celebrações e festividades Pagãs.
Os romanos, por exemplo, tinham o hábito de enfeitar as árvores em honra de Saturno, o Deus dos agricultores, num período do ano muito próximo do Natal Cristão.

Já na era Cristã, o Abeto, devido à sua configuração triangular era utilizado como símbolo da santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).

A Árvore de Natal “moderna” terá surgido no século XVI. Segundo alguns, terá sido o próprio Lutero4 que terá levado para sua casa um pinheiro enfeitado com velas e uma estrela. 

A árvore, em geral, é um símbolo de evolução. O tronco representa a unidade e os ramos a diversidade.

Por outro lado representa a imortalidade e a durabilidade, pois todos os anos “morre” e “renasce”.

O pinheiro em particular, utilizado maioritariamente como Árvore de Natal, simboliza a imortalidade e está associado à força da fecundidade.

Na simbologia cosmogónica, o pinheiro representa Deus, emasculado, que fecunda a Deusa Cibele que representa a terra.

Pai Natal



A lenda do Pai Natal terá como origem São Nicolau padroeiro da Rússia e Grécia, dos marinheiros e crianças.

A vida de São Nicolau não é muito conhecida. Sabe-se contudo, que foi bispo de Mira Lícia (Ásia Menor) no século IV.

Era conhecido, antes de “se tornar Pai Natal”, como salvador de marinheiros e defensor de crianças pobres e indefesas. Consta igualmente que gostava de presentear as crianças menos afortunadas.

Conta-se ainda que tinha um apreço especial por donzelas indefesas proporcionando-lhes oferendas e dotes generosos.

Terá sido o seu espírito altruísta, em particular para com os mais necessitados, o motivo que o ligou à imagem do Pai Natal.

A figura do Pai Natal moderno está muito ligada à Coca-Cola. De facto esta marca de refrigerantes tem uma importância bastante relevante na difusão mundial da imagem que todos temos do Pai Natal. Contudo, não foi esta marca que criou a imagem do Pai Natal que todos conhecemos.

Se não vejamos, a primeira campanha publicitária em que a Coca-Cola utiliza a imagem do Pai Natal, data de 1931.

Curiosamente a imagem utilizada tratava-se de um auto-retrato do seu autor (Healdon Hubert Sendblom, publicitário Norte Americano,1899-1976).



Muito antes de 1931, Thomas Nest, cartoonista Norte-americano, tinha publicado em 1866 um livro intitulado Santa Claus and his Works.


Inclusive existem outras marcas mundialmente conhecidas que utilizaram o Pai Natal, antes da própria Coca-Cola, em campanhas publicitárias.

A Coca-Cola tem contudo, o mérito de renovar a imagem do pai Natal e de a tornar mundialmente conhecida.

Presentemente o Pai Natal não é mais do que uma marca comercial e um símbolo de consumismo das sociedades modernas.

Reis Magos

Os Reis magos representam a mundialização e universalização da importância do nascimento de Jesus Cristo para a Humanidade.

As oferendas com que presentearam Jesus: Ouro, Incenso e Mirra, têm um significado bastante importante e quase que o poderemos considerar de profético.

Ouro é o tipo de oferenda com que se presenteiam os Reis, Incenso serve para invocar e adorar os deuses e a Mirra é um tipo de perfume com que se untavam os mortos.

Assim, temos que no seu nascimento os Reis Magos identificaram jesus como um Rei (Ouro), Um Deus (Incenso) e como alguém que irá morrer (Mirra).

A festa dos Reis é a festa da epifania, ou seja, a celebração de um acontecimento miraculoso: neste caso o nascimento do filho de Deus.

A estrela



A estrela é um símbolo intimamente ligado aos Reis Magos. Segundo os crentes, os Reis Magos terão sido guiados por uma estrela até ao local de nascimento de Jesus.

Os mais sépticos referem que o aparecimento desta estrela não terá sido mais do que um acontecimento astronómico, sendo por muitos relacionado com a possível passagem do cometa Halley.

Contudo e apesar de todas as especulações que se possam fazer, a estrela de natal representa a importância do Sol, sendo este apelidado pelos povos antigos como “o coração do cosmos”.


Referências

Saturninas

Celebrações Pagãs que invocavam o Deus da Agricultura, Saturno. Eram celebrações em prol das sementeiras e da fertilidade das terras. São igualmente rituais orgiásticos que visavam celebrar a fertilidade entre os humanos.

Festas do Solstício

Celebrações igualmente Pagãs, em particular vivenciadas por povos Celtas e Germânicos.

Celebração do Sol e do seu rejuvenescimento perpétuo.

São Francisco de Assis

São Francisco nasceu em 1181 em Assis na Itália e morreu em 1226 e foi fundador da ordem Franciscana. Foi canonizado em 1228 pela Igreja Católica.




Martinho Lutero

(Eisleben, 10 de novembro de 1483Eisleben, 18 de fevereiro de 1546) foi um teólogo alemão. É considerado o pai espiritual da Reforma Protestante.






Deusa Cibele

Era originalmente uma Deusa da Frígia – (actual Turquia) designada por Mãe dos Deuses ou Grande Mãe. Deusa do poder de fertilidade da natureza.










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