O NATAL
O Natal, enquanto celebração do nascimento de Cristo, começou a ser comemorado no século IV por determinação do Papa Júlio I.
Foi este Papa que estabeleceu o dia 25 de Dezembro como data do nascimento de Cristo.
Foi este Papa que estabeleceu o dia 25 de Dezembro como data do nascimento de Cristo.
Apesar de se desconhecer a data real do nascimento de Cristo, a escolha do dia 25 e em particular do mês de Dezembro para comemoração do Natal, não é algo que se possa considerar inocente.
Era neste período que se celebravam as festividades Pagãs. As festas em honra do Deus Saturno (Saturninas), celebradas pelos Romanos e as festas do Solstício de Inverno comemoradas pelos povos Celtas e Germânicos.
Ao cristianizar este período do ano, Júlio I, pretendeu esvaziar a importância das festas Pagãs e destacar a relevância de Cristo e do seu nascimento para a Humanidade.
Com o passar dos séculos, as festividades Pagãs quase que acabaram por desaparecer, sendo que alguns rituais que persistiram se confundem com a própria comemoração do Natal Cristão.
Por outro lado, Júlio I pretende atribuir a Cristo uma dimensão Astral. Cristo configura-se como um novo Sol que (re)nasce todos os anos.
Tal como as celebrações de Natal, também o calendário que rege o nosso quotidiano não foi sempre o mesmo.
Na realidade apenas no século XVI (1582), foi estabelecido o calendário Gregoriano, pelo Papa Gregório XIII.
Este calendário foi generalizado gradualmente a todo o Ocidente durante um período de quase 3 séculos.
A razão da sua criação deveu-se ao facto de terem sido identificados erros de cálculo relativos à duração do ano solar e como tal ser necessário substituir o antigo calendário Juliano instituto por Júlio César no ano 44 a.c..
Por curiosidade pode referir-se que no ano da sua implementação, o mês de Outubro foi encurtado em 10 dias.
A igreja Cristã Ortodoxa, apesar de não atribuir ao nascimento de Cristo a mesma relevância dada pela igreja Católica, comemora o Natal regendo-se pelo calendário juliano.
Símbolos de natal
O Presépio
O Presépio
Contudo, o presépio representa o local e o ritual de nascimento de Cristo.
Terão sido os Franciscanos (século XIII) pela mão de São Francisco de Assis a criarem a ideia de presépio que hoje conhecemos.
São Francisco de Assis em 1223, terá decidido celebrar a missa de Natal no interior de uma gruta situada na floresta de Greccocio. Para representar o nascimento de Cristo, utilizou dois animais vivos – um burro e uma vaca – e três figuras representando José, Maria e Jesus.
Desta forma São Francisco de Assis pretendeu explicar ao povo, de forma quase teatral, o nascimento de Cristo.
Contudo, o presépio tal como hoje o representamos terá surgido no século XVI em Itália.
Árvore de Natal
A Árvore de Natal tem igualmente origem em celebrações e festividades Pagãs.
Os romanos, por exemplo, tinham o hábito de enfeitar as árvores em honra de Saturno, o Deus dos agricultores, num período do ano muito próximo do Natal Cristão.
Já na era Cristã, o Abeto, devido à sua configuração triangular era utilizado como símbolo da santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).
A Árvore de Natal “moderna” terá surgido no século XVI. Segundo alguns, terá sido o próprio Lutero4 que terá levado para sua casa um pinheiro enfeitado com velas e uma estrela.
A árvore, em geral, é um símbolo de evolução. O tronco representa a unidade e os ramos a diversidade.
Por outro lado representa a imortalidade e a durabilidade, pois todos os anos “morre” e “renasce”.
O pinheiro em particular, utilizado maioritariamente como Árvore de Natal, simboliza a imortalidade e está associado à força da fecundidade.
Na simbologia cosmogónica, o pinheiro representa Deus, emasculado, que fecunda a Deusa Cibele que representa a terra.
Na simbologia cosmogónica, o pinheiro representa Deus, emasculado, que fecunda a Deusa Cibele que representa a terra.
Pai Natal
A lenda do Pai Natal terá como origem São Nicolau padroeiro da Rússia e Grécia, dos marinheiros e crianças.
A vida de São Nicolau não é muito conhecida. Sabe-se contudo, que foi bispo de Mira Lícia (Ásia Menor) no século IV.
Era conhecido, antes de “se tornar Pai Natal”, como salvador de marinheiros e defensor de crianças pobres e indefesas. Consta igualmente que gostava de presentear as crianças menos afortunadas.
Conta-se ainda que tinha um apreço especial por donzelas indefesas proporcionando-lhes oferendas e dotes generosos.
Terá sido o seu espírito altruísta, em particular para com os mais necessitados, o motivo que o ligou à imagem do Pai Natal.
A figura do Pai Natal moderno está muito ligada à Coca-Cola. De facto esta marca de refrigerantes tem uma importância bastante relevante na difusão mundial da imagem que todos temos do Pai Natal. Contudo, não foi esta marca que criou a imagem do Pai Natal que todos conhecemos.
Se não vejamos, a primeira campanha publicitária em que a Coca-Cola utiliza a imagem do Pai Natal, data de 1931.
Curiosamente a imagem utilizada tratava-se de um auto-retrato do seu autor (Healdon Hubert Sendblom, publicitário Norte Americano,1899-1976).
Muito antes de 1931, Thomas Nest, cartoonista Norte-americano, tinha publicado em 1866 um livro intitulado Santa Claus and his Works.
Inclusive existem outras marcas mundialmente conhecidas que utilizaram o Pai Natal, antes da própria Coca-Cola, em campanhas publicitárias.
A Coca-Cola tem contudo, o mérito de renovar a imagem do pai Natal e de a tornar mundialmente conhecida.
Presentemente o Pai Natal não é mais do que uma marca comercial e um símbolo de consumismo das sociedades modernas.
Reis Magos
Os Reis magos representam a mundialização e universalização da importância do nascimento de Jesus Cristo para a Humanidade.
As oferendas com que presentearam Jesus: Ouro, Incenso e Mirra, têm um significado bastante importante e quase que o poderemos considerar de profético.
Ouro é o tipo de oferenda com que se presenteiam os Reis, Incenso serve para invocar e adorar os deuses e a Mirra é um tipo de perfume com que se untavam os mortos.
Assim, temos que no seu nascimento os Reis Magos identificaram jesus como um Rei (Ouro), Um Deus (Incenso) e como alguém que irá morrer (Mirra).
A festa dos Reis é a festa da epifania, ou seja, a celebração de um acontecimento miraculoso: neste caso o nascimento do filho de Deus.
A estrela
A estrela é um símbolo intimamente ligado aos Reis Magos. Segundo os crentes, os Reis Magos terão sido guiados por uma estrela até ao local de nascimento de Jesus.
Os mais sépticos referem que o aparecimento desta estrela não terá sido mais do que um acontecimento astronómico, sendo por muitos relacionado com a possível passagem do cometa Halley.
Contudo e apesar de todas as especulações que se possam fazer, a estrela de natal representa a importância do Sol, sendo este apelidado pelos povos antigos como “o coração do cosmos”.
Referências
Saturninas
Celebrações Pagãs que invocavam o Deus da Agricultura, Saturno. Eram celebrações em prol das sementeiras e da fertilidade das terras. São igualmente rituais orgiásticos que visavam celebrar a fertilidade entre os humanos.
Festas do Solstício
Celebrações igualmente Pagãs, em particular vivenciadas por povos Celtas e Germânicos.
Celebração do Sol e do seu rejuvenescimento perpétuo.
São Francisco de Assis
São Francisco nasceu em 1181 em Assis na Itália e morreu em 1226 e foi fundador da ordem Franciscana. Foi canonizado em 1228 pela Igreja Católica.
(Eisleben, 10 de novembro de 1483 — Eisleben, 18 de fevereiro de 1546) foi um teólogo alemão. É considerado o pai espiritual da Reforma Protestante.
Deusa Cibele
Era originalmente uma Deusa da Frígia – (actual Turquia) designada por Mãe dos Deuses ou Grande Mãe. Deusa do poder de fertilidade da natureza.

