Para que serve este blogue?

Este blogue foi criado para servir de suporte à divulgação de trabalhos académicos que realizei ao longo da minha licenciatura em Sociologia, do meu mestrado em Ciências do Trabalho e Relações Laborais e do meu Doutoramento, que estou a frequentar, em Sociologia.

Sem pretender atribuir aos trabalhos uma importância que provavelmente não têm, creio, contudo, que estes podem servir de referência a estudantes e/ou pessoas em geral que tenham interesse pelas temáticas relacionadas com a Sociologia e logo relacionadas com todos nós.

Apesar do objetivo central do Blogue ser aquele que atrás se menciona, por vezes sou tentado a apresentar a minha opinião sobre algum tema que julgue sociologicamente relevante.

A minha opinião sobre temas actuais não está prisioneira do rigor metodológico e conceptual a que estão obrigados os trabalhos académicos.

C.Santana

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Está Tudo Mal...

Pois é. Sabemos que está tudo mal. Estamos num tempo de encruzilhada em que temos consciência que vivemos num sistema social completamente desequilibrado e cheio de contradições. Contudo, não conseguimos descortinar o novo caminho para nos transportarmos para uma dimensão mais elevada.

Mais uma vez Marx. É verdade. Deixemo-nos de constrangimentos ideológico políticos e mergulhemos no raciocínio cientifico-filosófico de Marx.

É verdade que compete ao homem escolher o caminho. Contudo escutemos (lendo) o que Marx diz a este respeito: «Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade, em circunstâncias escolhidas por eles próprios, mas nas circunstâncias imediatamente encontradas, dadas e transmitidas. A tradição de todas as gerações mortas pesa sobre o cérebro dos vivos como um pesadelo.» (in O 18 de Brumário de Louis de Bonaparte).

Ou seja, não nos conseguimos livrar do nosso capital social genético. Esse capital se por um lado nos permite saber quem somos e de onde viemos, não nos deixa ser algo diferente.

O sistema em que vivemos incute em nós um espírito de competitividade em que para ganharmos alguém tem que perder. Se formos mais competitivos conseguimos ficar com um melhor emprego. Isto é, para nós ficarmos com esse emprego alguém tem que ficar sem ele. Vivemos num jogo de soma nula. Para alguém ganhar outro terá forçosamente que perder.

Por vezes tende-se a considerar que Marx defende uma espécie de homem social em que desaparecem todas as características intrínsecas a cada indivíduo. Ou seja, que se elimina a individualidade. Ao contrário. Marx afirma que só se todos os indivíduos tiverem condições materiais similares, que propiciem o seu desenvolvimento pessoal, se torna possível que estes se possam diferenciar.

Isto é, para sermos diferentes necessitamos de ser iguais. Só nos podemos diferenciar de forma positiva se partirmos do mesmo patamar. Se eu nascer rico e outro nascer pobre os patamares de partida são forçosamente diferentes e assim geram indivíduos negativamente diferentes.

Contudo, a mudança é sempre dolorosa e demorada. Temos igualmente que estar alerta relativamente àqueles que nos prometem mudanças e o paraíso na terra. Não nos esqueçamos de outras palavras sábias de Marx quando este diz que aqueles que se intitulam revolucionários se transformam em reaccionários quando assumem o poder.

Finalizemos com Marx: «Diz-nos a história que os grandes homens foram sempre aqueles que se enobreceram trabalhando pelo bem universal.» (Karl Marx in Anthony Giddens, Capitalismo e Moderna Teoria Social)

Saudações Marxistas...

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