Conceitos-chave:
Educação: existem vários conceitos sociológicos para definir o que se entende por educação. Assim, iremos escolher um que julgamos mais adequado ao contexto do nosso trabalho. Kellerhals e Montandon[1] abordam a questão da educação como um processo diferenciado da socialização. Para estes autores, a educação «(…) contém apenas os aspectos intencionais e a segunda (socialização) diz respeito a todas as transformações e influências a que a criança é sujeita, por pressão exterior». Pode inferir-se que, de acordo com esta perspectiva, a educação resulta de uma atitude proactiva. Ou seja, os educadores agem intencionalmente sobre os indivíduos para que estes interiorizem os “conteúdos" estabelecidos pelo sistema formal de ensino. Sendo que a socialização é um processo pelo qual os indivíduos assimilam os valores predominantes da sociedade, em que estão inseridos, através de diversos mecanismos: imitação, interacção social face-a-face, comunicação social, etc. Podemos dizer que educação é uma socialização formal e a socialização uma educação informal.
Sistema social: para definir sistema social iremos suportar-nos em Talcott Parsons. Para Parsons, característica aliás partilhada com todos os funcionalistas, a sociedade apresenta-se como um sistema no qual os indivíduos interagem.
Esta perspectiva recupera a visão Durkhermiana da sociedade. Recupera igualmente a perspectiva organicista herdada de Herbert Spencer em que a sociedade é comparada, metaforicamente, com um ser orgânico em que as suas diversas componentes (estruturas ou subsistemas) são interdependentes e contribuem para a harmonia do todo (sistema).[2]
Parsons parte pois do pressuposto que a sociedade se constitui como um sistema que está estruturado em diversas partes designadas por estruturas ou subsistemas. «Na abordagem do funcionalismo estrutural, as instituições sociais têm funções específicas no interior das sociedades, ainda que todas concorram para um objectivo comum.».[3]
Os diversos subsistemas que enformam a sociedade contribuem para a sua estabilidade.
Deve entender-se a estabilidade social como um processo dialéctico. Ou seja, algo dinâmico e que sistematicamente procura encontrar um ponto de equilíbrio.
E-learning: sistema de ensino-aprendizagem “à distância” baseado na utilização de computadores e/ou outros meios electrónicos. Neste processo, professor e aluno encontram-se fisicamente separados, comunicando uns com os outros através da Internet.
Actualmente, assiste-se a uma nova revolução desse mesmo sistema, não só devido às transformações da própria sociedade, mas também, e principalmente, devido aos desenvolvimentos tecnológicos mais recentes. É cada vez mais comum ouvir-se falar em “quadros interactivos”, computadores portáteis e outros meios electrónicos ao dispor de uma classe de alunos cada vez mais jovem e abrangente. À medida que a educação se vai informatizando, surgem ferramentas que permitem que o ensino se faça “à distância”, isto é, no chamado regime de e-learning. Este método encontra-se em expansão, sobretudo nos meios universitários.
Podemos perguntar-nos: quais as vantagens e desvantagens, para o professor e para o aluno, deste novo “sistema” de ensino? Até que ponto é que uma aprendizagem feita online pode contribuir para o desenvolvimento pessoal e social do indivíduo? Serão os conhecimentos teóricos, transmitidos por via electrónica, mais relevantes do que as competências sociais adquiridas através do contacto com professores e colegas “reais”?
Há quem defenda que o e-learning é o modelo de educação do futuro.[5] Pensamos que esta afirmação faz tanto sentido como dizer que as redes sociais no futuro vão ser todas virtuais e que a interacção humana, característica eminente do ser social que somos, vai passar a fazer-se na íntegra por meios electrónicos. Assim sendo, poderemos dizer que estaremos na presença de um novo SER que não o Humano.
A tecnologia só é boa quando de facto é uma mais-valia para os seres humanos e quando contribui para a elevação do nosso conhecimento e bem--estar. Não nos devemos adaptar, acriticamente, à tecnologia que nos põem à frente. Nem sempre o que é mais tecnológico é o melhor.
Acreditamos que as tecnologias não podem e não devem invadir o espaço das relações humanas. A educação não poderá ser “total” se não constituir, ela própria, um processo “social”.
Depois destas considerações importa também referir que a educação deve servir para algo. Assim, pensamos que a primeira coisa que tem que se fazer é colocar a questão: para que serve a educação? Em seguida deveremos perguntar: como fazer educação, qual o modelo mais adequado tendo em consideração os objectivos que se pretendem alcançar? Afinal o que se pretende? Queremos uma educação que olha para os indivíduos de forma holística e portanto privilegiando o seu desenvolvimento integral ou apenas pretendemos formar técnicos que executem uma função social de forma eficaz sob o ponto de vista do modelo capitalista? Ou seja, pretendemos apenas formar indivíduos produtivos economicamente?
Importa saber se queremos formar pessoas com espírito crítico e capacidade de raciocinar ou apenas cumpridores de deveres e conformistas. Esta perspectiva vem na óptica Parsoniana de sociedade[6]. É isto que queremos? Se for, onde fica a mudança social, a evolução e o próprio individualismo tão defendido (ou talvez nem tanto) pelo modelo capitalista?
Defendemos pois uma educação mais Humana e consequentemente um saber, um conhecimento que se configurem como vectores de mudança social. Para Guy Rocher, a mudança social «É toda a transformação, observável no tempo, que afecta, de maneira que não seja provisória ou efémera, a estrutura ou o funcionamento da organização social de dada colectividade e modifica o curso da história. É a mudança de estrutura resultante da acção histórica de certos factores ou de certos grupos no seio de dada colectividade.» [7]
Bibliografia
DIOGO, Ana Matias, famílias e Escolaridade – representações parentais da escolarização, classe social e dinâmica familiar, Edições Colibri, Lisboa, 1998.
GIDDENS, Anthony, Sociologia, Fundação Calouste Gulbenkian, 5ª edição, Lisboa, 2007.
PINTO, Conceição Alves, Sociologia da Escola, McGraw-Hill, Lisboa, 1995,
PONCE, Anibal, Educação e Luta de Classes, Vega, Lisboa, 1979.
http://www.astd.org/LC/2009/0909_carliner.htm, Junho de 2010
CUIM, Charles–Henri GRESLE, Françoise, História da Sociologia, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1995.
ROCHER, Guy in http://www.prof2000.pt/users/dicsoc/soc_m.html#mudanca-social, Junho de 2010.
[1] Kellerhals e Montandon in Ana Matias Diogo, famílias e Escolaridade – representações parentais da escolarização, classe social e dinâmica familiar, Edições Colibri, Lisboa, 1998, p. 81.
[2] Anthony Giddens, Sociologia, Fundação Calouste Gulbenkian, 5ª edição, Lisboa, 2007, p. 16.
[3] Conceição Alves Pinto, Sociologia da Escola, McGraw-Hill, Lisboa, 1995, p.93.
[4] Anibal Ponce, Educação e Luta de Classes, Vega, Lisboa, 1979, p. 14.
[5] Retirado de http://www.astd.org/LC/2009/0909_carliner.htm, Junho de 2010.
4 A adaptação é um factor determinante para o modelo de Talcott Parsons. Ou seja, os indivíduos têm que se adaptar à realidade social existente como forma de sobreviverem socialmente e de salvaguardarem a sua integração. A mudança Social não é um factor que Parsons equacione. Charles–Henri Cuim e Françoise Gresle, História da Sociologia, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1995.
[7] Guy Rocher in http://www.prof2000.pt/users/dicsoc/soc_m.html#mudanca-social, Janeiro de 2010.

