A Sociologia, apesar da multiplicidade de teorias existentes, acaba por se encontrar de alguma forma parametrizada entre uma abordagem positivista e uma abordagem compreensiva. Continuam a ser referências inquestionáveis as abordagens herdadas de Durkheim e de Weber. A este respeito Nogueira Dias[1] refere que «Na Sociologia podemos opor ao positivismo de Comte e Durkheim a compreensão empática de Max Weber.». Refere ainda este autor que «…A primeira perspectiva é identificada como paradigma positivista, o qual se preocupa com a extensão dos fenómenos…» «A segunda perspectiva é identificada como paradigma compreensivo…Como resultado destas preocupações, podemos nelas incluir as chamadas microssociologias…».
Durkheim tem uma frase extremamente esclarecedora sobre a sua visão da Sociologia e que serve para se entender a sua perspectiva Macro do social: «Para compreender a maneira como a sociedade se representa a si própria e ao mundo que a rodeia, é a natureza da sociedade, e não a dos particulares que devemos considerar.»[2]. Também Weber defende a sua perspectiva: «Sociologia (na acepção aqui aceite desta palavra empregue com tão diversos significados) designará: uma ciência que pretende compreender, interpretando-a, a acção social e, deste modo, explicá-la casualmente no decurso e nos seus efeitos.»[3].
Obviamente que a divisão entre micro e macro é um artificialismo metodológico e cientifico. A realidade não é Micro nem Macro é um todo indivisível. O que importa reter é que ambas as perspectivas são válidas em Sociologia desde que sejam cumpridas as regras inerentes à utilização dos métodos e das técnicas de investigação.
Existe igualmente a tendência de considerar a abordagem macro mais objectiva por se sustentar numa perspectiva “matemática” (método quantitativo) e a abordagem micro mais subjectiva por ter uma metodologia que assenta na compreensão das representações sociais dos indivíduos (método qualitativo). A este respeito Berger e Luckmann dizem que «Estas duas afirmações [perspectiva de Durkheim e de Weber] não são contraditórias. A sociedade possui, na verdade, uma factualidade objectiva. E a sociedade é, de facto, também constituída por actividades que exprimem um significado subjectivo. Durkheim, aliás, tinha conhecimento deste último enunciado, assim como Weber conhecia o primeiro.»[4].
Nenhuma abordagem se pode considerar mais correcta do que a outra. Tudo depende daquilo que o investigador pretenda estudar. Os grandes problemas sistémicos e de dimensão global não podem ter como ferramenta de descodificação da realidade social as abordagens qualitativas, tal como o estudo do que se passa num pequeno grupo social não deverá ser operacionalizado com ferramentas que não permitam apreender as representações sociais do grupo. Isto é, as ferramentas devem adequar-se à tipologia do “trabalho” que o investigador pretende realizar.
As microssocioligias partem do que é “mini” para as estruturas e sistemas sociais e as macrossociologias percorrem um caminho oposto. Existem autores mais defensores, por uma questão de abordagem do objecto de estudo, de um ou de outro modelo. Outros há que tanto usam as micro como as macrossociologias e por isso não gostam de ser rotulados. Abaixo indicam-se alguns autores e a respectiva abordagem:
Talcott Parsons, Robert Merton[5] (era essencialmente defensor de uma perspectiva mesossociológica), Norbert Elias, Pierre Bourdieu e Anthony Giddens – Macro
Peter Berger, Thomas Luckman, Aaron Cicourel - Micro
[1] Retirado de http://www.sociuslogia.com/artigos/fudam01.htm, Outubro de 2009.
[2] Émile Durkheim, As Regras do Método Sociológico, Editorial Presença, Lisboa, 10ª edição, 2007, p. 26.
[3] Max Weber, Conceitos Sociológicos Fundamentais, Edições 70, Lisboa, 2ª edição, 2005, p. 21.
[4] Peter Berger e Thomas Luckmann, A construção Social da Realidade, Dinalivro, Lisboa, 2ª edição, 2004.p. 29.
[5] Retirado de http://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Merton, Outubro de 2009.

