Será que estamos realmente a mudar a consciência? O paradigma económico baseado na economia de mercado tem como alimento, da sua voraz necessidade de vender novos produtos, a depredação dos recursos naturais. Para sairmos da crise em que actualmente nos encontramos todos os analistas são unânimes em considerar que é necessário estimular os mercados e aumentar o consumo. Para aumentar o consumo é necessário gastar mais energia – essencialmente de origem fóssil – e consumir mais matérias-primas. Em suma, é necessário aumentar a depredação dos recursos naturais e consequentemente contribuir para o desequilíbrio ecológico.
Ao mesmo tempo, os diferentes media procuram divulgar um conjunto de comportamentos “cívicos” que procuram dar resposta, ou pelo menos minimizar, determinados problemas ambientais. Ensinam as populações a utilizar o “ecoponto”, a reciclar os resíduos, a gastar menores quantidades de água, a viajar de transportes públicos... E, no entanto, quase de imediato, alertam os indivíduos para os gravíssimos perigos da crise económica, cuja resolução se torna absolutamente urgente.
Temos, portanto, duas espécies de problemas. Verifica-se que as suas resoluções são incompatíveis. O que fazer nesta situação? Devem as sociedades esforçar-se mais do ponto de vista ecológico ou económico?
O que é mais importante: o planeta ou o capital?
O principal país responsável pelo desequilíbrio ambiental em que a terra se encontra são os Estados Unidos da América. Esta evidência não é negada por ninguém, nem mesmo pelos Americanos.
Cremos que não se deve dissociar a questão ecológica da globalização. A globalização, em particular a económica, revela-se egoísta. Os interesses dos países “globalizadores” não devem ser prejudicados independentemente do eventual dano que possam causar. Os países “ricos” nada fazem para mudar o seu estilo de vida em prol de um mundo mais equilibrado e justo. O seguinte trecho, retirado de um discurso do ex-presidente dos EUA, George W. Bush, serve para elucidar o que atrás foi referido: «Nada faremos que prejudique a nossa economia porque primeiro está o mais importante, que são as pessoas que vivem na América».[1] Curiosamente o seu pai, George Bush, disse anos antes (em 1992) algo muito similar: «O estilo de vida Americano não é passível de negociação».[2]
Esta arrogância e este etnocentrismo são o espelho da globalização económica.
«…a sociedade é arrastada para uma profunda anarquia moral e politica que parece ameaçá-la de uma próxima e inevitável dissolução….Desde o momento em que esta crise começou a manifestar-se até ao momento presente, a tendência para a desorganização do antigo sistema foi a dominante…»[3]
A citação acima transcrita poderia facilmente ter sido retirada de um artigo de opinião, de um jornal de hoje, sobre a crise que presentemente estamos a viver. Contudo, foi produzida por Augusto Comte em 1822. De facto, a história parece querer de tempos a tempos repetir-se. Marx e Engels também eles se manifestaram sobre as crises cíclicas do sistema capitalista: «Nas crises irrompe uma epidemia social que teria parecido um contra-senso a todas as épocas anteriores – a epidemia da sobreprodução.
E como triunfa a burguesia nas crises? Por um lado, pela aniquilação forçada de uma massa de forças produtivas; por outro lado, pela conquista de novos mercados e pela exploração mais profunda de antigos mercados. De que modo, então? Preparando crises mais omnilaterais e mais poderosas, e diminuindo os meios de prevenir as crises».[4]
Estas crises apesar de serem eminentemente de carácter económico, a verdade é que contaminam todas as imensões da vida social. Sendo, na óptica Marxista, a infra-estrutura económica determinante da superstrutura moral, ideológica e cultural, temos que todas as dimensões da intervenção humana são afectadas. Marx e Engels referem «Que prova a história das ideias senão que a produção espiritual se reconfigura com a da material? As ideias dominantes de um tempo foram sempre apenas as ideias da classe dominante».[5]
Ao mesmo tempo, os diferentes media procuram divulgar um conjunto de comportamentos “cívicos” que procuram dar resposta, ou pelo menos minimizar, determinados problemas ambientais. Ensinam as populações a utilizar o “ecoponto”, a reciclar os resíduos, a gastar menores quantidades de água, a viajar de transportes públicos... E, no entanto, quase de imediato, alertam os indivíduos para os gravíssimos perigos da crise económica, cuja resolução se torna absolutamente urgente.
Temos, portanto, duas espécies de problemas. Verifica-se que as suas resoluções são incompatíveis. O que fazer nesta situação? Devem as sociedades esforçar-se mais do ponto de vista ecológico ou económico?
O que é mais importante: o planeta ou o capital?
O principal país responsável pelo desequilíbrio ambiental em que a terra se encontra são os Estados Unidos da América. Esta evidência não é negada por ninguém, nem mesmo pelos Americanos.
Cremos que não se deve dissociar a questão ecológica da globalização. A globalização, em particular a económica, revela-se egoísta. Os interesses dos países “globalizadores” não devem ser prejudicados independentemente do eventual dano que possam causar. Os países “ricos” nada fazem para mudar o seu estilo de vida em prol de um mundo mais equilibrado e justo. O seguinte trecho, retirado de um discurso do ex-presidente dos EUA, George W. Bush, serve para elucidar o que atrás foi referido: «Nada faremos que prejudique a nossa economia porque primeiro está o mais importante, que são as pessoas que vivem na América».[1] Curiosamente o seu pai, George Bush, disse anos antes (em 1992) algo muito similar: «O estilo de vida Americano não é passível de negociação».[2]
Esta arrogância e este etnocentrismo são o espelho da globalização económica.
«…a sociedade é arrastada para uma profunda anarquia moral e politica que parece ameaçá-la de uma próxima e inevitável dissolução….Desde o momento em que esta crise começou a manifestar-se até ao momento presente, a tendência para a desorganização do antigo sistema foi a dominante…»[3]
A citação acima transcrita poderia facilmente ter sido retirada de um artigo de opinião, de um jornal de hoje, sobre a crise que presentemente estamos a viver. Contudo, foi produzida por Augusto Comte em 1822. De facto, a história parece querer de tempos a tempos repetir-se. Marx e Engels também eles se manifestaram sobre as crises cíclicas do sistema capitalista: «Nas crises irrompe uma epidemia social que teria parecido um contra-senso a todas as épocas anteriores – a epidemia da sobreprodução.
E como triunfa a burguesia nas crises? Por um lado, pela aniquilação forçada de uma massa de forças produtivas; por outro lado, pela conquista de novos mercados e pela exploração mais profunda de antigos mercados. De que modo, então? Preparando crises mais omnilaterais e mais poderosas, e diminuindo os meios de prevenir as crises».[4]
Estas crises apesar de serem eminentemente de carácter económico, a verdade é que contaminam todas as imensões da vida social. Sendo, na óptica Marxista, a infra-estrutura económica determinante da superstrutura moral, ideológica e cultural, temos que todas as dimensões da intervenção humana são afectadas. Marx e Engels referem «Que prova a história das ideias senão que a produção espiritual se reconfigura com a da material? As ideias dominantes de um tempo foram sempre apenas as ideias da classe dominante».[5]
Apesar de serem visíveis alguns sinais de mudança, tais como a socialização das crianças para uma maior consciência ecológica e o investimento em fontes energéticas limpas, a verdade é que todas estas iniciativas, que devem ser estimuladas, representam um esforço muito pequeno comparado com a tarefa gigantesca que é necessário empreender para mudar o rumo do nosso planeta. A mudança de comportamentos envolve a necessidade de uma nova consciência global.
A mesma tarefa que terá de partir de todos e de cada um: a de uma nova consciencialização e Educação para o Futuro.
A mesma tarefa que terá de partir de todos e de cada um: a de uma nova consciencialização e Educação para o Futuro.
Artigo escrito em parceria com Maria Correia e Odete Reis.
[1] George W. Bush in Peter Singer, Um Só Mundo – A ética da globalização, Gradiva, Lisboa, 2004, p. 26.
[2] Idem.
[3] Augusto Comte, Reorganizar a Sociedade, Guimarães Editores, Lisboa, 4ª edição, 2002, p. 29.
[4] Karl Marx e Friedrich. Engels, Manifesto do Partido Comunista, Edições Avante, Lisboa, 2004, 4ª edição, p. 42.
[5] Ibidem, p. 55.
[1] George W. Bush in Peter Singer, Um Só Mundo – A ética da globalização, Gradiva, Lisboa, 2004, p. 26.
[2] Idem.
[3] Augusto Comte, Reorganizar a Sociedade, Guimarães Editores, Lisboa, 4ª edição, 2002, p. 29.
[4] Karl Marx e Friedrich. Engels, Manifesto do Partido Comunista, Edições Avante, Lisboa, 2004, 4ª edição, p. 42.
[5] Ibidem, p. 55.

