Embora simpatize com o pensamento de Rousseau a verdade é que não faz muito sentido dizer que o homem em estado selvagem (natural) é bom e é a sociedade que o corrompe. O Homem é por natureza um ser social. O Homem não poder ser desintegrado do contexto social. Sem sociedade não existe ser humano. Já Aristóteles dizia que "O homem que não precisa da sociedade ou é um Deus ou um animal". Marx diz algo semelhante e na continuidade deste raciocínio ao referir que «...é a consciência do homem determinada pelo seu ser social».[1]
Marx vai mais longe ao considerar que o que distingue os homens dos animais é o facto das capacidades e gostos humanos serem um produto social e que o individuo isolado não passa de uma ficção. O indivíduo funciona como uma esponja que absorve, através do processo de socialização, as formas de pensar, sentir e agir que lhe são passadas pelas gerações mais velhas.
O indivíduo não é contudo um ser neutro e contribui através da interacção social para a transformação da sociedade.[2]
Marx vê o indivíduo como um ser social que resulta de todo um passado histórico. Mas não deixa de o encarar, igualmente, como um transformador da realidade social.
Para Marx o Homem é um "produto" da história e não um mero resultado do contexto social presente. O que somos hoje resulta do que formos ontem. Este carácter de homo historicus que Marx atribui aos indivíduos é uma referência importante no seu método de análise da evolução social e de explicação das razões que lhe estão inerentes.
Marx utiliza o materialismo histórico para explicar a evolução social. Marx considera que a sociedade é «Um produto histórico, o resultado de uma sucessão de gerações, cada uma das quais como que subindo para os ombros da que a precedeu…»[3]
Ao pensamento de Rousseau poderíamos opor igualmente o de John Locke ou de Thomas Hobbes quando estes defendem que o Homem é mau por natureza e são as regras sociais que o “domesticam”.
Poderia igualmente recorrer-se ao pensamento de Norbert Elias. Elias refere que de facto individuo e sociedade não é exactamente a mesma coisa. Não se pode dizer simplesmente que uma sociedade é um conjunto de indivíduos. Tal como não se pode dizer que uma casa é um conjunto de pedras ou uma floresta é um conjunto de árvores.[4] A sociedade, utilizando uma linguagem sistémica, é qualitativamente superior ao somatório da acção social de cada indivíduo, contudo, não se pode dizer que seja algo exterior aos indivíduos. É antes algo que é construído, como diz Elias, muitas vezes de forma não intencional e sem que os indivíduos estejam em condições de predizer as consequências futuras da sua acção.
Norbert Elias reforça a ideia de que não faz sentido referir que as estruturas ou os sistemas coagem o indivíduo. Isto porque os sistemas e as estruturas são corporizados por indivíduos e não existem por si só. Quando muito pode dizer-se que indivíduos coagem outros indivíduos.[5] Esta questão remete para o que Elias considera poder. Para ele o poder desenvolve-se, tal como as classes sociais, do inter-relacionamento que se desenvolve entre os indivíduos e das relações de dependência que dai derivam. Ou seja, somos mais ou menos poderosos consoante os indivíduos dependem mais ou menos de nós.
É igualmente interessante analisar o comportamento do Homem à luz do conceito de Homo Demens que Morin apresenta na sua obra o paradigma Perdido e a Natureza Humana.[6] De facto, o Homem apresenta características completamente distintas, por um lado é capaz dos actos da mais profunda entrega ao próximo e por outro é capaz das maiores barbaridades. O Homo Demens (demente) é uma espécie de alter ego do Homo Sapiens.
O Homem padece de uma espécie de esquizofrenia genética que é passada intergeracionalmente.
Marx vai mais longe ao considerar que o que distingue os homens dos animais é o facto das capacidades e gostos humanos serem um produto social e que o individuo isolado não passa de uma ficção. O indivíduo funciona como uma esponja que absorve, através do processo de socialização, as formas de pensar, sentir e agir que lhe são passadas pelas gerações mais velhas.
O indivíduo não é contudo um ser neutro e contribui através da interacção social para a transformação da sociedade.[2]
Marx vê o indivíduo como um ser social que resulta de todo um passado histórico. Mas não deixa de o encarar, igualmente, como um transformador da realidade social.
Para Marx o Homem é um "produto" da história e não um mero resultado do contexto social presente. O que somos hoje resulta do que formos ontem. Este carácter de homo historicus que Marx atribui aos indivíduos é uma referência importante no seu método de análise da evolução social e de explicação das razões que lhe estão inerentes.
Marx utiliza o materialismo histórico para explicar a evolução social. Marx considera que a sociedade é «Um produto histórico, o resultado de uma sucessão de gerações, cada uma das quais como que subindo para os ombros da que a precedeu…»[3]
Ao pensamento de Rousseau poderíamos opor igualmente o de John Locke ou de Thomas Hobbes quando estes defendem que o Homem é mau por natureza e são as regras sociais que o “domesticam”.
Poderia igualmente recorrer-se ao pensamento de Norbert Elias. Elias refere que de facto individuo e sociedade não é exactamente a mesma coisa. Não se pode dizer simplesmente que uma sociedade é um conjunto de indivíduos. Tal como não se pode dizer que uma casa é um conjunto de pedras ou uma floresta é um conjunto de árvores.[4] A sociedade, utilizando uma linguagem sistémica, é qualitativamente superior ao somatório da acção social de cada indivíduo, contudo, não se pode dizer que seja algo exterior aos indivíduos. É antes algo que é construído, como diz Elias, muitas vezes de forma não intencional e sem que os indivíduos estejam em condições de predizer as consequências futuras da sua acção.
Norbert Elias reforça a ideia de que não faz sentido referir que as estruturas ou os sistemas coagem o indivíduo. Isto porque os sistemas e as estruturas são corporizados por indivíduos e não existem por si só. Quando muito pode dizer-se que indivíduos coagem outros indivíduos.[5] Esta questão remete para o que Elias considera poder. Para ele o poder desenvolve-se, tal como as classes sociais, do inter-relacionamento que se desenvolve entre os indivíduos e das relações de dependência que dai derivam. Ou seja, somos mais ou menos poderosos consoante os indivíduos dependem mais ou menos de nós.
É igualmente interessante analisar o comportamento do Homem à luz do conceito de Homo Demens que Morin apresenta na sua obra o paradigma Perdido e a Natureza Humana.[6] De facto, o Homem apresenta características completamente distintas, por um lado é capaz dos actos da mais profunda entrega ao próximo e por outro é capaz das maiores barbaridades. O Homo Demens (demente) é uma espécie de alter ego do Homo Sapiens.
O Homem padece de uma espécie de esquizofrenia genética que é passada intergeracionalmente.
[1] Marx in Peter Berger e Thomas Luckmann, A Construção Social da Realidade, Dinalivro, Lisboa, 2ª edição, 2004, p. 17.
[2] Karl Marx in Anthony Giddens, Capitalismo e Moderna Teoria Social, Editorial Presença, Lisboa, 6ª edição, 2005, p. 42
[3] Ibidem, p. 53.
[4] Norbert Elias, A Sociedade dos Indivíduos, Dom Quixote, Lisboa, 2ª edição, 2004.
[5] Idem.
[6] O Paradigma Perdido e a Natureza Humana, Publicações Europa-América, Mem Martins, 6ª edição, 2000.


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