Diariamente somos confrontados com a crise económica e financeira que assola todos os países. É verdade! A crise pela qual estamos a passar é tão ou mais grave do que a grande recessão que se abateu sobre os Estados Unidos e consequentemente sobre todo o mundo no final da década de 1920.
Alguns analistas, creio que com razão, referem que as consequências sociais da crise actual são menos agudas. Isto porque, a generalidade dos países desenvolvidos, em particular da Europa Ocidental, dispõem de sistemas de protecção social que servem como amortecedores e não deixam que as situações de carência económica das famílias cheguem a situações extremas.
Pensemos então no que poderia ou poderá acontecer caso as políticas neo-liberais venham a ser implantadas de forma generalizada no continente Europeu. Será que numa situação de sistemas económicos e sociais baseados no neo-liberalismo as respostas sociais produzidas pelos Estados poderiam ser operacionalizadas da forma que foram para responder à actual crise? Fica a interrogação.
Vamos agora analisar o sistema que suporta a economia dos estados da Europa Ocidental e dos Estados Unidos da América. Ou seja, debrucemo-nos sobre o sistema capitalista.
Todos os dias ouvimos dizer que estão a promover um ataque sobre algumas economias da Europa, em particular sobre Portugal e por arrastamento sobre a Espanha e Irlanda. Mas afinal quem nos está a atacar? Os Marcianos? Não creio. Os castelhanos? Já não existem. Os poderes mais ou menos ocultos do divino firmamento? Parece que não, afinal vamos ter a visita do papa? Mas afinal quem nos ataca?
Parece que quem nos ataca são as organizações que controlam a alta finança mundial. Ou seja, os grandes bancos internacionais e os seus investidores que se dedicam à especulação financeira. Parece pois que quem nos ataca pertence à nossa espécie e não é nenhum alienígena ou Deus do Olimpo.
Podemos pois dizer que a nossa doença deriva do sistema económico em que vivemos. Por acaso dois senhores que viveram no século XIX disseram o seguinte:
«Nas crises irrompe uma epidemia social que teria parecido um contra-senso a todas as épocas anteriores – a epidemia da sobreprodução.
E como triunfa a burguesia nas crises? Por um lado, pela aniquilação forçada de uma massa de forças produtivas; por outro lado, pela conquista de novos mercados e pela exploração mais profunda de antigos mercados. De que modo, então? Preparando crises mais omnilaterais e mais poderosas, e diminuindo os meios de prevenir as crises».[1]
Parece poder depreender-se, das afirmações acima transcritas, que o capitalismo é um sistema irracional e caracterizado pelo canibalismo social e económico e que não olha a meios para alcançar os seus intentos, mesmo que essa prática possa conduzir à ruína o próprio sistema capitalista.
Esta irracionalidade do sistema capitalista é visível no facto de insistir na diminuição massiva da força de trabalho como forma de reduzir custos e na redução de direitos sociais. Sem consumidores económica e financeiramente favorecidos e sem empregos estáveis é impossível ao sistema capitalista manter altos níveis de produção e de escoamento dos seus produtos e serviços.
Voltemos aos bancos. Diariamente somos confrontados com o facto dos Estados necessitarem de ir ao mercado internacional para se financiarem. Isto é, vamos a mega bancos pedir dinheiro. Acontece que o dinheiro existe, caso contrário os Estados não se poderiam financiar. Verifica-se um aproveitamento por parte desses bancos. Como existe muita procura de financiamento dão-se ao luxo de aumentarem as taxas de juro. Tudo isto faz algum sentido em termos de sistema capitalista; quem quer dinheiro tem que pagar por isso. Quanto mais procura mais alta a taxa de juro. Parece fazer sentido. O problema é que esta lógica está a minar o próprio sistema capitalista. O sistema está a ser corroído por um vírus que faz parte do seu ADN.
Como tudo na vida, ou quase tudo, existem situações alternativas. Vamos lá ver. O sistema capitalista está em crise. A solução para a crise parece ser uma maior crise devido ao endividamento a que os Estados ficam sujeitos. O problema maior é de liquidez financeira. Existem bancos com liquidez, caso contrário os Estados não se poderiam financiar. Logo, parece que a solução é simples…NACIONALIZE-SE A RIQUEZA. Ao nacionalizar-se a riqueza esta fica na dependência dos Estados. Considerando que os Estados vivem cada vez mais numa situação de interdependência devido à globalização da economia e ao facto de muitos fazerem parte de espaços económicos alargados (como o caso da União Europeia) então não lhes interessa que os Estados com os quais interagem fiquem numa situação de colapso económico-financeiro e como tal poderão emprestar dinheiro a custos reduzidos aos Estados em situação mais frágil.
Parece pois que a situação proposta é perfeitamente viável. O problema é que os Estados-Nação estão cada vez mais em causa. Quem dirige os destinos do planeta são homens de rosto encoberto e de nome desconhecido.
Não nos deixemos enganar por discursos bem intencionados. Se foi possível nacional bancos e multinacionais em situação económica difícil e com custos para os Estados também se podem nacionalizar os bancos e as empresas que efectivamente são os culpados da crise e continuam a lucrar com ela.
Para que serve este blogue?
Este blogue foi criado para servir de suporte à divulgação de trabalhos académicos que realizei ao longo da minha licenciatura em Sociologia, do meu mestrado em Ciências do Trabalho e Relações Laborais e do meu Doutoramento, que estou a frequentar, em Sociologia.
Sem pretender atribuir aos trabalhos uma importância que provavelmente não têm, creio, contudo, que estes podem servir de referência a estudantes e/ou pessoas em geral que tenham interesse pelas temáticas relacionadas com a Sociologia e logo relacionadas com todos nós.
Apesar do objetivo central do Blogue ser aquele que atrás se menciona, por vezes sou tentado a apresentar a minha opinião sobre algum tema que julgue sociologicamente relevante.
A minha opinião sobre temas actuais não está prisioneira do rigor metodológico e conceptual a que estão obrigados os trabalhos académicos.
C.Santana
Sem pretender atribuir aos trabalhos uma importância que provavelmente não têm, creio, contudo, que estes podem servir de referência a estudantes e/ou pessoas em geral que tenham interesse pelas temáticas relacionadas com a Sociologia e logo relacionadas com todos nós.
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C.Santana
sexta-feira, 30 de abril de 2010
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