Vou apenas relatar parte da minha juventude. Presentemente tenho 44 anos. Nasci em 21 de Dezembro de 1965. Quer isto dizer que as minhas brincadeiras de “rua” se desenvolveram essencialmente entre a década de 1970 e início da década de 1980.
Na época residia numa das freguesias da cidade de Almada, no Laranjeiro. Curiosamente na altura o Laranjeiro nem sequer era freguesia. Era uma localidade da freguesia da Cova da Piedade. Apenas passou à condição de freguesia urbana integrada na cidade de Almada em 1989.
A rua onde residia e onde os meus pais ainda residem – Rua Padre Américo – é constituída, basicamente, por pequenos prédios e algumas moradias.
A referida rua e o Laranjeiro não dispunham de qualquer infra-estrutura desportiva, ao ar livre ou coberta, em condições para a juventude praticar desporto ou qualquer outra actividade lúdica. A excepção à regra era o Clube de Instrução e Recreio do Laranjeiro. Clube onde pratiquei algumas modalidades desportivas: ginástica desportiva, badmington, voleibol.
Face a estes constrangimentos infra-estruturais, em que espaço desenvolvíamos as nossas actividades? A resposta é simples. Na rua! Ou seja, era na rua que jogávamos à bola até haver luz, era na rua que brincávamos à apanhada, às escondidas, ao alho, ao bate pé, ao pião, ao espeta, ao carolo…
A minha rua tinha miúdos de várias idades e em grande quantidade. Na rua não existiam espaços verdes nem recintos apropriados à prática desportiva ou outras.
Presentemente, a cidade e restante concelho de Almada dispõe, quanto a mim, das melhoras infrae-struturas desportivas do país e de um parque urbano de excelente qualidade (parque da Paz). Vários são os clubes que promovem desporto de formação e que dispõem de instalações próprias. Isto é, houve uma evolução qualitativa ao nível dos equipamentos públicos disponibilizados às crianças e jovens para praticarem desporto e actividades lúdicas.
A evolução em termos desta tipologia de insfra-estruturas deu-se um pouco por todo o país.
Então o que aconteceu? Porque motivo as crianças deixaram de brincar na rua? Existem diversas respostas e estas diferem consoante a zona do país ou do mundo em que existem crianças.
Vou apenas tentar encontrar algumas respostas mais uma vez tendo por suporte a minha história pessoal. Presentemente tenho um filho com 11 anos de idade. Idade em que eu brincava na rua com diversos amigos da mesma idade. O meu filho não brinca na rua, nem conhece nenhum amigo que resida na mesma rua. A rua onde resido presentemente tem muito mais condições para se brincar na rua do que a minha rua de infância. Tem pouco trânsito, tem alguns espaços verdes e tem um polidesportivo ao ar livro a poucos metros de distância.
Temos então que encontrar algumas respostas: porque carga de água os miúdos não brincam na rua? Em primeiro lugar porque nós pais e encarregados de educação não os deixamos brincar na rua. Brincar na rua tornou-se algo pouco burguês. Quem brinca na rua são os miúdos vádios. Os miúdos de bem brincam em casa.
As nossas mães, pelo menos a minha, estavam em casa. Quando regressávamos a casa depois de acabadas as aulas podíamos ir brincar para a rua com os nossos amigos. Agora depois das aulas os miúdos vão para o ATL até às 19h00. Depois vão para casa porque no dia seguinte têm que se levantar de madrugada para repetir a mesma rotina.
No fim-de-semana vamos ao centro comercial fazer compras. Se houver tempo vamos dar uma volta. Não nos podemos esquecer que temos que fazer os trabalhos de casa.
Por acaso, ou por minha influência, o meu filho tem a felicidade de praticar desporto – Andebol – num clube de Almada (Almada Atlético Clube). É um miúdo sociável e tem muitos amigos e conhecidos. Embora nenhum seja da rua onde reside.
Depois não nos esqueçamos que cada vez há menos miúdos. No meu prédio apenas existe um miúdo da idade do meu filho. No prédio onde eu residia quando era criança éramos 10 miúdos dentro do mesmo escalão etário e o prédio tinha menos moradores.
A verdade é que se alteraram os hábitos sociais.
Quem tem o privilégio de ter nascido na época pré-centros comerciais, sabe que então todos tínhamos o hábito de passear na rua com os nossos pais. O passeio consistia nada mais, nada menos do que na observação das montras das lojas que existiam um pouco por toda a parte. Costumava-se dizer que íamos ver as “montras”.
A verdade é que esse hábito social se mantém. Na prática continuamos a ver as “montras”. Acontece que as “montras” não estão directamente na rua mas sim dentro de um centro comercial.
Os centros comerciais de grande dimensão funcionam como estruturas agregadoras que permitem que os indivíduos consigam satisfazer todas as suas necessidades de consumo e de lazer no mesmo espaço. No inverno são locais acolhedores e no verão são frescos.
Perdeu-se a cultura da rua. Ou porque há mais trânsito, ou porque não é próprio para os meninos de bem, ou porque não há tempo, ou porque é perigoso. Ou porque somos todos bacocos e preferimos enfiarmo-nos num centro comercial quando na rua está um excelente dia de sol. É verdade o sol também faz mal!
Deixámos a rua para os marginais e para os cães abandonados.
Não me quero alargar mais… Faltava falar do apelo dos jogos electrónicos, da televisão, da internet, do Macdonald’s, etc…etc…Ou seja, faltava falar da influência que a sociedade de consumo e que a globalização tiveram na alteração dos nossos comportamentos.
Na época residia numa das freguesias da cidade de Almada, no Laranjeiro. Curiosamente na altura o Laranjeiro nem sequer era freguesia. Era uma localidade da freguesia da Cova da Piedade. Apenas passou à condição de freguesia urbana integrada na cidade de Almada em 1989.
A rua onde residia e onde os meus pais ainda residem – Rua Padre Américo – é constituída, basicamente, por pequenos prédios e algumas moradias.
A referida rua e o Laranjeiro não dispunham de qualquer infra-estrutura desportiva, ao ar livre ou coberta, em condições para a juventude praticar desporto ou qualquer outra actividade lúdica. A excepção à regra era o Clube de Instrução e Recreio do Laranjeiro. Clube onde pratiquei algumas modalidades desportivas: ginástica desportiva, badmington, voleibol.
Face a estes constrangimentos infra-estruturais, em que espaço desenvolvíamos as nossas actividades? A resposta é simples. Na rua! Ou seja, era na rua que jogávamos à bola até haver luz, era na rua que brincávamos à apanhada, às escondidas, ao alho, ao bate pé, ao pião, ao espeta, ao carolo…
A minha rua tinha miúdos de várias idades e em grande quantidade. Na rua não existiam espaços verdes nem recintos apropriados à prática desportiva ou outras.
Presentemente, a cidade e restante concelho de Almada dispõe, quanto a mim, das melhoras infrae-struturas desportivas do país e de um parque urbano de excelente qualidade (parque da Paz). Vários são os clubes que promovem desporto de formação e que dispõem de instalações próprias. Isto é, houve uma evolução qualitativa ao nível dos equipamentos públicos disponibilizados às crianças e jovens para praticarem desporto e actividades lúdicas.
A evolução em termos desta tipologia de insfra-estruturas deu-se um pouco por todo o país.
Então o que aconteceu? Porque motivo as crianças deixaram de brincar na rua? Existem diversas respostas e estas diferem consoante a zona do país ou do mundo em que existem crianças.
Vou apenas tentar encontrar algumas respostas mais uma vez tendo por suporte a minha história pessoal. Presentemente tenho um filho com 11 anos de idade. Idade em que eu brincava na rua com diversos amigos da mesma idade. O meu filho não brinca na rua, nem conhece nenhum amigo que resida na mesma rua. A rua onde resido presentemente tem muito mais condições para se brincar na rua do que a minha rua de infância. Tem pouco trânsito, tem alguns espaços verdes e tem um polidesportivo ao ar livro a poucos metros de distância.
Temos então que encontrar algumas respostas: porque carga de água os miúdos não brincam na rua? Em primeiro lugar porque nós pais e encarregados de educação não os deixamos brincar na rua. Brincar na rua tornou-se algo pouco burguês. Quem brinca na rua são os miúdos vádios. Os miúdos de bem brincam em casa.
As nossas mães, pelo menos a minha, estavam em casa. Quando regressávamos a casa depois de acabadas as aulas podíamos ir brincar para a rua com os nossos amigos. Agora depois das aulas os miúdos vão para o ATL até às 19h00. Depois vão para casa porque no dia seguinte têm que se levantar de madrugada para repetir a mesma rotina.
No fim-de-semana vamos ao centro comercial fazer compras. Se houver tempo vamos dar uma volta. Não nos podemos esquecer que temos que fazer os trabalhos de casa.
Por acaso, ou por minha influência, o meu filho tem a felicidade de praticar desporto – Andebol – num clube de Almada (Almada Atlético Clube). É um miúdo sociável e tem muitos amigos e conhecidos. Embora nenhum seja da rua onde reside.
Depois não nos esqueçamos que cada vez há menos miúdos. No meu prédio apenas existe um miúdo da idade do meu filho. No prédio onde eu residia quando era criança éramos 10 miúdos dentro do mesmo escalão etário e o prédio tinha menos moradores.
A verdade é que se alteraram os hábitos sociais.
Quem tem o privilégio de ter nascido na época pré-centros comerciais, sabe que então todos tínhamos o hábito de passear na rua com os nossos pais. O passeio consistia nada mais, nada menos do que na observação das montras das lojas que existiam um pouco por toda a parte. Costumava-se dizer que íamos ver as “montras”.
A verdade é que esse hábito social se mantém. Na prática continuamos a ver as “montras”. Acontece que as “montras” não estão directamente na rua mas sim dentro de um centro comercial.
Os centros comerciais de grande dimensão funcionam como estruturas agregadoras que permitem que os indivíduos consigam satisfazer todas as suas necessidades de consumo e de lazer no mesmo espaço. No inverno são locais acolhedores e no verão são frescos.
Perdeu-se a cultura da rua. Ou porque há mais trânsito, ou porque não é próprio para os meninos de bem, ou porque não há tempo, ou porque é perigoso. Ou porque somos todos bacocos e preferimos enfiarmo-nos num centro comercial quando na rua está um excelente dia de sol. É verdade o sol também faz mal!
Deixámos a rua para os marginais e para os cães abandonados.
Não me quero alargar mais… Faltava falar do apelo dos jogos electrónicos, da televisão, da internet, do Macdonald’s, etc…etc…Ou seja, faltava falar da influência que a sociedade de consumo e que a globalização tiveram na alteração dos nossos comportamentos.


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