A obra de Franz Kafka “o Processo” aborda um tema que se mantém actual e polémico apesar de terem decorrido oitenta e quatro anos após a data da sua publicação (1925).
Trata-se de um livro que serve para nos abanar e para demonstrar que os indivíduos dificilmente conseguem lutar contra as regras, por mais perversas que elas sejam, ditadas por um sistema social supostamente constituído por indivíduos com direitos e deveres iguais.
A história do livro resume-se rapidamente. Josef K., personagem central da história, acorda certa manhã e é surpreendido na sua própria casa por dois agentes da justiça que o informam que este é alvo de um processo judicial e como tal se encontra detido.
Apesar da acusação que lhe é formulada K. não é informado de mais nada sobre o seu processo. Aliás os próprios representantes da justiça desconhecem os motivos da acusação.
Toda a trama do livro gira à volta do processo e das tentativas incontáveis e dos estratagemas mais bizarros que K. usa para tentar apurar a sua culpa e declarar a sua inocência.
K. apesar de acusado, formalmente, nunca esteve detido.
Após mil e uma peripécias K. acaba condenado e executado sem nunca ter percebido os motivos da sua acusação.
Esta história que é marcada por situações bizarras, surreais e assustadoras contém uma riqueza sociológica assinalável.
O que Kafka nos quer transmitir, apesar da obra ter leituras que extravasam o âmbito da Sociologia, tal como uma leitura mais Filosófica centrada nas questões da existência humana, é que a sociedade e os seus sistemas sociais condicionam a acção social dos indivíduos e tratam-nos como verdadeiras marionetas facilmente manipuladas.
Kafka utiliza o sistema judicial como uma mera metáfora. A questão central é entendermos que o sistema social representado, designadamente, pelo estado não tem contemplações para com os indivíduos.
O autor dá-nos igualmente pistas sobre a estratificação social. Retrata uma sociedade assimétrica em que coexistem os privilegiados e os miseráveis. A própria justiça é retratada como um sistema muito desigual em que convivem indivíduos com um elevado status social e capacidade económica e os funcionários subalternos que não passam de meros peões do sistema e que vivem em condições degradadas e muito próximas da miséria.
A estratificação social está na base da corrupção generalizada de que enferma o sistema social. A corrupção não é vista como algo anómalo mas sim como um traço identitário da sociedade. A corrupção institucionalizou-se através da rotina e enraizou-se fazendo parte da cultura desta sociedade.
As acentuadas desigualdades sociais estão igualmente presentes no território da cidade em que se passa a história. A cidade identifica-se com os indivíduos que nela residem. Existem partes da cidade ricas e faustosas e outras miseráveis e sombrias.
Está implícita na obra a vergonha social. Vergonha que deriva do facto do indivíduo quando é acusado levar atrás de si todos aqueles que com ele interagem socialmente e em particular a sua família. A acusação deixa de ser algo individual e passa a afectar um conjunto alargado de indivíduos.
Kafka relata igualmente a alienação a que os indivíduos são sujeitos face à justiça.
A burocracia no sistema judicial é retratada como algo perverso e como fonte de medo social. Os indivíduos vêem-se impotentes para se defenderem de um sistema que supostamente deveria existir para sua protecção.
Em conclusão podemos referir que Kafka retrata uma sociedade obscura, talvez não mais do que aquela em que vivemos, em que o controlo social é algo completamente arrasador e implacável. Onde quer que os indivíduos estejam estão a ser controlados. As pessoas mais insuspeitas trabalham para instituições mais ou menos indefinidas e que o comum dos mortais nunca ouviu falar.
Tal como Josef K. todos nós somos condenados a viver aprisionados numa sociedade mais ou menos escabrosa.
Existe, contudo, uma mensagem de esperança. Apesar de a maioria dos indivíduos se comportarem como autênticos cordeiros a caminho do matadouro, a verdade é que existe sempre alguém que tenta remar contra a maré e perguntar porquê? Foi o que K. fez. É verdade que no fim foi morto. Contudo, é neste questionamento da realidade social que se encontra o embrião da mudança e se identifica a verdadeira acção social.
Trata-se de um livro que serve para nos abanar e para demonstrar que os indivíduos dificilmente conseguem lutar contra as regras, por mais perversas que elas sejam, ditadas por um sistema social supostamente constituído por indivíduos com direitos e deveres iguais.
A história do livro resume-se rapidamente. Josef K., personagem central da história, acorda certa manhã e é surpreendido na sua própria casa por dois agentes da justiça que o informam que este é alvo de um processo judicial e como tal se encontra detido.
Apesar da acusação que lhe é formulada K. não é informado de mais nada sobre o seu processo. Aliás os próprios representantes da justiça desconhecem os motivos da acusação.
Toda a trama do livro gira à volta do processo e das tentativas incontáveis e dos estratagemas mais bizarros que K. usa para tentar apurar a sua culpa e declarar a sua inocência.
K. apesar de acusado, formalmente, nunca esteve detido.
Após mil e uma peripécias K. acaba condenado e executado sem nunca ter percebido os motivos da sua acusação.
Esta história que é marcada por situações bizarras, surreais e assustadoras contém uma riqueza sociológica assinalável.
O que Kafka nos quer transmitir, apesar da obra ter leituras que extravasam o âmbito da Sociologia, tal como uma leitura mais Filosófica centrada nas questões da existência humana, é que a sociedade e os seus sistemas sociais condicionam a acção social dos indivíduos e tratam-nos como verdadeiras marionetas facilmente manipuladas.
Kafka utiliza o sistema judicial como uma mera metáfora. A questão central é entendermos que o sistema social representado, designadamente, pelo estado não tem contemplações para com os indivíduos.
O autor dá-nos igualmente pistas sobre a estratificação social. Retrata uma sociedade assimétrica em que coexistem os privilegiados e os miseráveis. A própria justiça é retratada como um sistema muito desigual em que convivem indivíduos com um elevado status social e capacidade económica e os funcionários subalternos que não passam de meros peões do sistema e que vivem em condições degradadas e muito próximas da miséria.
A estratificação social está na base da corrupção generalizada de que enferma o sistema social. A corrupção não é vista como algo anómalo mas sim como um traço identitário da sociedade. A corrupção institucionalizou-se através da rotina e enraizou-se fazendo parte da cultura desta sociedade.
As acentuadas desigualdades sociais estão igualmente presentes no território da cidade em que se passa a história. A cidade identifica-se com os indivíduos que nela residem. Existem partes da cidade ricas e faustosas e outras miseráveis e sombrias.
Está implícita na obra a vergonha social. Vergonha que deriva do facto do indivíduo quando é acusado levar atrás de si todos aqueles que com ele interagem socialmente e em particular a sua família. A acusação deixa de ser algo individual e passa a afectar um conjunto alargado de indivíduos.
Kafka relata igualmente a alienação a que os indivíduos são sujeitos face à justiça.
A burocracia no sistema judicial é retratada como algo perverso e como fonte de medo social. Os indivíduos vêem-se impotentes para se defenderem de um sistema que supostamente deveria existir para sua protecção.
Em conclusão podemos referir que Kafka retrata uma sociedade obscura, talvez não mais do que aquela em que vivemos, em que o controlo social é algo completamente arrasador e implacável. Onde quer que os indivíduos estejam estão a ser controlados. As pessoas mais insuspeitas trabalham para instituições mais ou menos indefinidas e que o comum dos mortais nunca ouviu falar.
Tal como Josef K. todos nós somos condenados a viver aprisionados numa sociedade mais ou menos escabrosa.
Existe, contudo, uma mensagem de esperança. Apesar de a maioria dos indivíduos se comportarem como autênticos cordeiros a caminho do matadouro, a verdade é que existe sempre alguém que tenta remar contra a maré e perguntar porquê? Foi o que K. fez. É verdade que no fim foi morto. Contudo, é neste questionamento da realidade social que se encontra o embrião da mudança e se identifica a verdadeira acção social.


Sem comentários:
Enviar um comentário