A polémica do momento tem novamente como protagonista José Saramago e a Religião. Tudo isto porque o Sr. Nobel da Literatura não gosta da Biblia.
Não se excitem tanto que não vale a pena. Afinal a bíblia não passa de um livro. Aliás é exactamente isso que quer dizer BIBLIA. Se as pessoas criticam os livros de Saramago por que carga de água o Saramago não pode criticar os livros dos outros.
Os católicos que sosseguem. O Saramago critica o Deus do velho testamento. Esse é que era má pessoa. O do novo testamento era filho do mau mas parece que era bonzinho. O problema é que parece que era o mesmo. Grande confusão. Pois é a santíssima trindade tem destas coisas. São três entidades diferentes. No fim vai-se a ver são a mesma coisa. Parece que o senhor Deus tem 3 trabalhos diferentes. Uma vez é pai, outra é filho e de vez em quando é espírito santo. Com o desemprego que aí há creio que de facto é mesmo má pessoa.
Não deixa de ser curioso que todos nos insurgimos contra a censura violenta que a religião islâmica faz a todos aqueles que criticam o Corão ou os seus Profetas. Quando alguém critica a Bíblia, seja o velho ou o novo testamento, parece que a reacção muda de sentido e assumimos nós o papel dos que censuram.
Felizmente já não condenamos ninguém à morte. Certamente com muita pena da Santa Madre igreja.
Será que não se percebe que a Bíblia é uma obra semelhante a algumas mitologias, como a Grega. O que se pretende é retratar de forma alegórica a vida do homem na terra.
O velho testamento foi escrito num período em que a única justificação para a nossa existência era encontrada no sobrenatural. O Homem não dispunha de conhecimento suficiente para encontrar outras respostas.
A resposta encontrada funciona como meio de controlo e de paz social. A Bíblia, em particular o velho testamento – não esquecer que o velho testamento é comum às três religiões monoteístas: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo – mais não é do que um conjunto de normas sociais que os indivíduos deviam cumprir para que fosse possível a vida em sociedade.
Vejamos os Dez Mandamentos:
Como se pode observar, os Dez Mandamentos variam consoante a religião. Logo este facto não deixa de ser interessante. Ou seja, só terá existido um Moisés, logo os mandamentos deviam ser apenas Dez e não Dez e qualquer coisa. Vamos basear-nos nos mandamentos Judaicos. Supostamente são os que estão mais próximo do original:
Eu Sou o SENHOR, o teu Deus – Obviamente não devemos ter diversos deuses. Estamos na presença do princípio da ditadura. Ou seja, devemos apenas obediência a um líder.
Não terás outros Deus para além de mim e não farás para ti nenhum ídolo – A primeira parte já está respondida. Não fazer nenhum ídolo é uma questão de respeito pelo líder. Ele é impossível de retratar. Qualquer cópia que seja feita não é suficientemente fiel à sua grandiosidade.
Não tomarás em vão o nome do SENHOR, o teu Deus – Obviamente que quem invocar o nome do Líder tem que ter cuidado. Normalmente quando falamos dos nossos líderes é para dizer mal. No regime Salazarista por exemplo quem invocasse o nome de Salazar era preso, não importando se estava a dizer bem ou mal da criatura.
Lembra-te do dia de Sábado para santificá-lo – todos os líderes em particular os ditadores gostam de ser bajulados.
Honra teu pai e tua mãe – importância da família como estrutura social.
Não matarás – princípio universalmente aceite e norma básica para a vivência em sociedade.
Não adulterarás – mais um princípio básico para a convivência social. Não nos esqueçamos que a tribo de Moisés terá vivido no deserto vários anos. Segundo a bíblia 40 anos. Resta saber qual era a medida utilizada. Como sabem o calendário Juliano data de 46 A.C e foi instituído por Júlio César. O calendário que presentemente utilizamos – Gregoriano – é apenas de 1582. Como tal seria impossível conviver numa tribo em que todos estivessem a dormir com os homens ou as mulheres dos outros. Certamente que a chapada e o pontapé seriam insuportáveis.
Não furtarás – Idem aspas aspas.
Não darás falso testemunho contra o teu próximo – Idem aspas aspas.
Não cobiçarás (a mulher do teu próximo e casa do teu próximo) – reparem o machismo. Não existe nada que diga não cobiçarás o homem do próximo. Sociedade eminentemente machista. Ainda por cima comparam a mulher a uma mercadoria (casa).
Como se pode ver os mandamentos são meros códigos de conduta social. Se quiserem ver a bíblia como algo mais do que uma cosmogonia que tenta explicar o universo e um conjunto de normas sociais estejam à vontade que eu não vos critico….agora que são CROMOS lá isso são.
Agora um pouco mais a sério. A Biblia é um documento magnifico e merece ser olhado com olhos de ver e sem hipocrisias.
A Biblia é muito mais do que um documento religioso. É sobretudo um testemunho da passagem do Homem por este planeta. É uma tentativa grandiosa de contar a nossa História. É um exemplo da nossa capacidade criadora. É tudo isto e muito mais. Contudo, é apenas um documento pensado e escrito por humanos e para os humanos. Quem achar que é algo mais tem todo o direito de o fazer. Nunca terá o direito de impedir os outros de terem uma opinião contrária.


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