Para que serve este blogue?

Este blogue foi criado para servir de suporte à divulgação de trabalhos académicos que realizei ao longo da minha licenciatura em Sociologia, do meu mestrado em Ciências do Trabalho e Relações Laborais e do meu Doutoramento, que estou a frequentar, em Sociologia.

Sem pretender atribuir aos trabalhos uma importância que provavelmente não têm, creio, contudo, que estes podem servir de referência a estudantes e/ou pessoas em geral que tenham interesse pelas temáticas relacionadas com a Sociologia e logo relacionadas com todos nós.

Apesar do objetivo central do Blogue ser aquele que atrás se menciona, por vezes sou tentado a apresentar a minha opinião sobre algum tema que julgue sociologicamente relevante.

A minha opinião sobre temas actuais não está prisioneira do rigor metodológico e conceptual a que estão obrigados os trabalhos académicos.

C.Santana

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O Acabado Silva e a sua Madame foram à China

O Acabado Silva e a sua Madame foram à China.

Esse senhor que só está no poder há cerca de 30 anos e que continua a dizer não ser político foi ate à China acompanhado da sua cara-metade e de mais um batalhão de pretensos embaixadores de Portugal em diversas áreas.

Sinceramente não sei se muitos têm prestado atenção a esta deslocação do decrépito Presidente português a terras do extremo oriente. Eu já não tenho paciência para ver na televisão ou nos jornais as mesmas caras enjoadas do senhor e da sua mulher.

Contudo, foi através da rádio que tive oportunidade de ouvir o Sr. Silva, aquando da sua visita à Cidade Proibida, referir que felizmente já não existem Imperadores e que o poder é do povo.

Esta afirmação poderia não ter grande significado se o Sr. Silva estivesse em visita a um país democrático. Tratando-se da China a coisa muda de figura.

Podemos pois considerar que o nosso confuso Presidente considera a China um país democrático e que o povo é quem tem o destino do país nas suas mãos.

Assim sendo, o Partido Comunista Português e o Cavaco Silva estão de acordo. Se o acordo não é possível de obter em termos de politica interna parece que em matéria de política internacional e no que respeita à China têm posições muito semelhantes.

Vamos ver a posição do Sr. Silva sobre a China se os dirigentes Chineses decidirem tomar nos próximos tempos algumas posições mais imperialistas e menos democráticas.

A verdade é que mesmo na China e cada vez mais na China o capital é o verdadeiro Imperador.
Contudo, a China não mudou. Continua a ter pena de morte, a perseguir os opositores políticos, a escravizar trabalhadores, a desrespeitar as normas ambientais, a ocupar o Tibete, etc.


Quem mudou fomos nós. Tornámo-nos mesquinhos, subservientes, mentirosos, lambe botas, etc. Ou seja, somos uma espécie de “Putas” que fazem tudo a troco de alguns cobres.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Trabalhar até morrer? E se não houver trabalho?


Trabalhar até morrer? E se não houver trabalho?

Parece que está para breve a destruição de mais um contrato social. Um contrato que todos assumimos quando ingressámos no mercado de trabalho. O nosso compromisso era trabalhar até aos 65 anos. O compromisso do Estado era assegurar-nos uma pensão de reforma que fosse o reflexo dos nossos anos de trabalho e de contribuições para o sistema de Segurança Social.

Como é fácil de perceber, a ideologia dominante apenas se preocupa com os contratos estabelecidos entre o Estado e o poder financeiro. Os compromissos com os cidadãos podem facilmente ser revogados e atirados para o lixo.

Se fizermos uma análise demográfica e sociológica ao que se passa nas sociedades ocidentais nos últimos 40 anos e em particular ao que se passa em Portugal desde finais da década de 1980, percebemos que existe uma crise profunda no que concerne à demografia. Chegámos a um ponto de viragem demográfica; registaram-se nos últimos anos mais óbitos do que nascimentos. A nossa sociedade entrou em recessão demográfica. Estamos a “desaparecer”.

Esta poderia ser a razão invocada pelo governo para aumentar a idade da reforma. Poderia igualmente invocar o aumento da esperança de vida. Mas não, invoca apenas razões de contabilidade de merceeiro. Contabilista de mercearia que como todos sabem é a especialidade do nosso ministro das finanças e do seu adjunto: o primeiro-ministro.

Se o sistema de segurança social é estruturalmente insustentável a prazo isso poderá vir a dever-se à crise demográfica e a nada mais.

Como tal, sejam sérios e sejam competentes.

Importa contudo perceber o que nós e os nossos amigos Europeus fizemos nas últimas décadas no que concerne ao acesso às pensões de reforma. Como muitos sabem durante a década de 1990 o objectivo das políticas Europeias era permitir o acesso à pensão de reforma numa idade mais precoce. Muitos trabalhadores foram beneficiados com processos de pré-reforma ou de antecipação da idade de reforma. Trabalhadores dos sectores publico e privado. De repente mudam-se as políticas sem que se perceba muito bem as razões que subjazem a essa alteração

Não se pode abordar a questão da idade da reforma sem analisar o desemprego. Mais uma vez apelo aos senhores governantes que sejam sérios. Sei que o não são.

A realidade é que a economia mundial deixou de ter capacidade de gerar empregos em número suficiente desde finais da década de 1970. Desde então nunca mais foi possível atingir taxas de desemprego socialmente aceitáveis. A questão foi sendo camuflada com políticas de retardamento da idade de entrada no mercado de trabalho e com políticas de antecipação da idade da reforma.

Assim sendo, pergunto: com as taxas de desemprego actuais a penalizarem os jovens e os trabalhadores com mais de 45 anos como é possível conciliar políticas de crescimento do emprego com o aumento da idade de acesso à reforma?

Se os jovens estão numa situação critica em termos de emprego, também os trabalhadores mais velhos enfrentam essa realidade. Realidade que em muitos casos é bem mais dramática do que a dos jovens. Importa não esquecer que são os trabalhadores com mais de 45 anos que em muitos casos servem de almofada social ao desemprego dos mais jovens.

A verdade dos números é transparente. Apesar de se estar sempre a falar do desemprego dos mais jovens, a verdade é que os números são idênticos para os mais velhos. A taxa de desemprego em Portugal regista cerca de 40% de desemprego jovem e cerca de 40% de desemprego de trabalhadores com mais de 45 anos.

Ao ser aumentada a idade de acesso à reforma, para além de se condicionar o acesso ao emprego dos mais jovens, vamos incrementar o desemprego dos mais velhos. É evidente que as empresas não vão contratar trabalhadores mais velhos ou manter os seus postos de trabalho apenas porque o governo decretou o aumento da idade da reforma. Podemos assim perspectivar o aumento massivo do desemprego dos mais velhos. Como se sabe, facilmente as empresas encontrarão razões para provocarem a situação de desemprego destes trabalhadores.

Desta forma, duas situações podem ocorrer: os trabalhadores mais velhos ficam em situação de desemprego e beneficiam do subsídio de desemprego nos moldes actualmente existentes, podendo antecipar a idade da reforma, ou o governo faz cessar a possibilidade de antecipação da idade da reforma para quem está desempregado.

Na primeira situação teremos o estado a pagar a factura, como é hábito, sendo que o aumento da idade da reforma não beneficiará ninguém. Na segunda hipótese, a ocorrer, iremos enfrentar mais problemas de pobreza e de coesão social.

Para que se reflicta sobre o modelo social para que caminhamos, a passos largos, resta apenas referir que «(…) 90% das transacções internacionais não são relacionadas com investimento real, mas com investimento especulativo.» (Kovács, 2002, 21). Aqui reside a génese da crise que actualmente vivenciamos. A finança deixou de ser o resultado ou o reflexo da produção. Mas quem é que se importa com isto?

terça-feira, 17 de abril de 2012

Pensamento Único...

Estamos num momento da história em que nos querem vender a ideia – a maioria de nós parece comprar essa ideia – que a crise económica e social que vivenciamos apenas poderá ser solucionada de uma única maneira. 

Essa via de sentido único suporta-se no liberalismo que defende, entre outas ideias, que a economia deve ser controlada por interesses privados.

Não deixa de ser curioso que uma sociedade que nunca foi tão plural noutros aspectos, como a cultura e a moral, se deixe convencer que em termos políticos e económicos apenas existe uma solução.

O que ainda é mais estranho é que quem dirige partidos políticos com designações como social-democrata ou socialista, enverede pelo caminho do pensamento único deixando cair a ideologia que suporta os seus próprios partidos.

Por tudo isto é sempre de aplaudir, pelo menos eu aplaudo, alguém que tem a coragem de pensar de forma diferente. 

Quando em Portugal a palavra de ordem é privatizar. Alienar tudo o que é do Estado não interessa a quem nem como, na Argentina a Presidente daquele país teve a coragem política de nacionalizar a empresa que controla o mercado dos combustíveis.

A Espanha numa atitude de colonialismo económico já ameaçou a Argentina referindo que quem ataca as empresas espanholas ataca a Espanha.

É bom que as multinacionais, detidas por pessoas sem rosto, percebam que ainda existem líderes políticos com força e determinação para lhes fazer frente.

Quando estes líderes desaparecerem acabam os Estados Nação e todos os países passam a ser governados como presentemente é governado Portugal. Não por lideres eleitos pelo povo mas por tecnocratas que defendem interesses mais ou menos obscuros.

domingo, 1 de abril de 2012

A Marmita...

A marmita. 
Existem marmitas de várias cores, feitios e materiais.
A marmita é por excelência um símbolo do operariado. Se preferirmos do proletariado.
Os proletários, devido à falta de locais próprios para a preparação das refeições, eram obrigados a levar a sua refeição de casa em recipientes que fossem apropriados ao transporte das mesmas. 
As marmitas em alumínio e de formato cilíndrico eram das mais utilizadas no século passado. Eu próprio, durante a curta experiência que tive de trabalho na construção civil, levava a minha marmita de alumínio para a “obra”.
Se a marmita era utilizada pelos proletários, devido à falta de condições existentes nas empresas para a preparação das refeições, a verdade é que as questões financeiras, devido aos baixos salários, eram sem dúvida o principal motivo.
A marmita era de facto um símbolo identitário da classe proletária. Quase que se poderia dizer: proletários de todos os países usem a marmita.
Se a marmita era um símbolo do proletariado o que se passa nos dias de hoje?
Tenho observado nos últimos tempos que cada vez mais a marmita passou a ser uma opção para outros estratos da população. No local onde trabalho vários são os colegas que aderiram à marmita.
Quem utiliza os transportes públicos ou observa o que se passa nas ruas das nossas cidades pode verificar o número crescente de indivíduos que “carregam” a sua marmita.
Se a marmita era de alguma forma estigmatizante para quem trabalhava no sector dos serviços e utilizava fato e gravata, parece que o estigma está a desaparecer.
Importa pois perguntar por que motivo os “engravatados” aderiram à marmita? 
A resposta não será apenas uma. Contudo, creio que as questões financeiras serão um dos motivos mais decisivos. Outras respostas surgirão, tais como: a necessidade de fazer uma alimentação mais equilibrada; não haver tempo para tomar uma refeição em restaurantes; etc.
Contudo, penso que deveríamos ponderar se não existirá uma razão mais profunda que justifique esta alteração de comportamento.
Marx falava da proletarização de todas as áreas de actividade. Ou seja, os proletários não são apenas os que trabalham na indústria mas todos os trabalhadores que têm uma relação salarial dependente. Isto é, os trabalhadores por conta de outrem.
Obviamente que o proletariado tradicional não se caracterizava apenas pelo facto da relação laboral se basear no salariato. Caracterizava-se pelas más condições de trabalho, pela remuneração baixa, pela precariedade, pela jornada de trabalho longa. Isto ocorria com o proletariado do século XIX e parte significativa do século XX.
Se a distinção entre “colarinhos brancos” e “colarinhos azuis” era algo característico dos chamados anos dourados do capitalismo (década de 1950 até finais da década de 1970), a verdade é que presentemente parece cada vez fazer menos sentido essa distinção. Os “colarinhos brancos” estão a ficar encardidos e os “colarinhos azuis” são uma espécie em vias de extinção.
Como tal, assumamos todos, os que se dão ao luxo de ter um trabalho, a condição de proletários. Somos de facto proletários. Quem usa fato e gravata ou quem usa fato de macaco está confrontado com a mesma realidade: desemprego, precariedade, baixos salários, prolongamento do tempo de trabalho. Só se ganharmos consciência que estamos todos no mesmo barco poderemos unir esforços em busca de algo melhor.
Parece que a principal razão do sucesso da marmita radica na proletarização da esmagadora maioria das actividades profissionais.

sexta-feira, 16 de março de 2012

O Desemprego e a Troika

Presentemente todos os actores sociais estão de acordo que a taxa de desemprego em Portugal atingiu níveis verdadeiramente preocupantes.

Todos são unanimes apesar de nem sempre partilharem os mesmos argumentos.
A taxa de desemprego atinge todas as categorias profissionais, ambos os sexos e indivíduos de todas as idades.

A precariedade vai minando um pouco por todo o lado as diferentes categorias profissionais e a insegurança generaliza-se.

Os mais novos sentem particulares dificuldades no acesso ao emprego devido à sua falta de experiência profissional e os mais velhos são empurrados dos empregos que mantinham há mais ou menos tempo e dificilmente conseguem regressar ao mercado de trabalho.
A discriminação etária relativamente aos trabalhadores mais velhos é algo evidente e apesar de ser proibida por lei, como é hábito neste país, ninguém é punido.
Apesar de toda esta tragédia social o Governo acabou de publicar mais uma alteração ao regime de protecção no desemprego.

O decreto-lei 64/2012 de 15 de Março reduz drasticamente o tempo de protecção social no desemprego dos trabalhadores com mais de 45 anos de idade. O regime anterior previa uma protecção que poderia atingir os 36 meses enquanto que o actual corta essa protecção para metade (18 meses). Prevê igualmente a redução do valor do subsídio de desemprego em 10% após atingidos os 6 meses de desemprego. Quanto a esta última alteração legislativa, refere o governo de forma irónica que é uma medida que visa “…incentivar a procura ativa de emprego por parte dos beneficiários.”

Se o objectivo é incentivar a procura de emprego e se por essa via se resolvem os problemas, pergunto: porque motivo não se termina com o subsidio de desemprego? Dessa forma os indivíduos desempregados estavam muito mais incentivados a procurar emprego logo a partir do momento em que ficam desempregados.

No que concerne ao desemprego dos trabalhadores mais velhos é por demais evidente que uma parte significativa destes, por questões de discriminação promovida pelas entidades empregadoras, por falta de qualificações ajustadas ao mercado de trabalho ou por qualquer outra razão, vão ficar fora do mercado de trabalho até atingirem a idade da reforma. A verdade é que as políticas que visam o que vulgarmente se convencionou chamar de envelhecimento activo são na sua generalidade hipocrisia política. Hipocrisia pelo facto de serem necessárias mais do que boas intenções. Hipocrisia política e desnorte. Há não muito tempo a política da generalidade dos países na União Europeia ia exactamente no sentido oposto. Isto é, na diminuição da idade da reforma e no estabelecimento de planos que permitiam que os trabalhadores beneficiassem de mecanismos de pré-reforma.

O mais estranho ou talvez não é o facto das medidas que o decreto-lei 64/2012 de 15 de Março vem instituir e que penalizam os trabalhadores mais velhos serem implementadas num período de crise aguda de desemprego. Se o mercado de trabalho estivesse em pleno emprego talvez estas fizessem algum sentido. Assim, não passam de medidas mais uma vez instigadas pelo voraz apetite neoliberal do governo e dos seus parceiros da Troika.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A Grande Pequena China...

Ontem estava a assistir ao noticiário da RTP 2, que recomendo, quando foi transmitida uma reportagem sobre as condições de trabalho numa fábrica chinesa. Nada de muito original. Já passaram diversas reportagens sobre as péssimas condições de trabalho oferecidas por muitas empresas, em particular industriais, que laboram na china.
Contudo, ao contrário do que costuma ser apresentado tratava-se de uma fábrica tecnologicamente avançada e que produzia um dos produtos mais desejados pelos consumidores compulsivos. Nada mais, nada menos do que a fábrica que constrói o I PAD da Apple.

É verdade, o I PAD. Um dos novos símbolos que supostamente conferem status social. Mais um produto que serve para diferenciar as pessoas não pelo que realmente são mas pelo que possuem.

Na dita reportagem foi entrevistada, a medo, uma das operárias. A única tarefa executada por esta operária consistia na colocação do símbolo da Apple na tampa do I PAD. Durante todo o dia de trabalho qua não era curto limitava-se a fazer de forma repetida e sistemática esta simples função.

O que mais me impressionou foi o facto de esta trabalhadora nunca ter visto um I PAD a funcionar. Simplesmente desconhecia aquilo que estava a produzir. Teve pela primeira vez contacto com um I PAD quando o jornalista que a entrevistou lhe apresentou o aparelho e a deixou manipulá-lo.

Se lermos alguns relatos de episódios passados em fábricas na Europa e nos EUA nos finais do século XIX e inícios do Século XX percebemos que as coisas não mudaram muito. Se lermos relatos apresentados por Karl Marx, Engels e outros percebemos que a realidade nas fábricas do Século XIX é em tudo semelhante ao que se passa em muitas fábricas que vão surgindo nos países ditos emergentes.

O que a operária da fábrica da Apple demonstrava era uma completa alienação relativamente ao produto que ajuda a construir. Alienação. É verdade. Conceito Marxista muitas vezes dificilmente entendido pelos estudantes de Economia do Trabalho ou de Sociologia do Trabalho. Estou certo que esta reportagem ajudou a clarificar o que Marx queria dizer quando se referia à alienação face ao produto.

Esta fábrica era tão sinistra que simplesmente tinha retirado o direito aos operários de se libertarem pelo suicídio. É verdade. Como a taxa de suicídio era muito elevada, a direcção da fábrica resolveu colocar redes de protecção para aparar a queda dos operários que se atiravam pelas janelas. Esta fábrica é o mundo dos operários. É nela que passam 6 dias por semana. Lá trabalham, comem, dormem e muitas vezes morrem. 

As fábricas na china recorrem às mais retrogradas técnicas de organização do trabalho criadas por Taylor e potenciadas por Ford: Intensificação desmedida da divisão do trabalho, separação entre trabalho de concepção e trabalho de execução. Afinal pouco ou nada mudou em 200 anos de revolução industrial.

O que parece ter mudado é a latitude em que os produtos são fabricados. Mudou igualmente o conceito de divisão do trabalho entre concepção e execução. Se no século XIX e inícios do Século XX esta separação era efectuada dentro da unidade de produção, presentemente a separação é feita entre países que concebem e países que executem. Entre países que criam valor pela inovação e design e países que utilizam mão-de-obra escrava para darem forma aos produtos criados nos países ricos. Separação entre quem cria símbolos de poder e quem apenas tem como destino produzir uma ínfima parte desses símbolos.

O mais irónico é que os países ricos não percebem que os indivíduos que vivem nos países ricos estão a ficar sem sítio onde trabalhar. Nem todos têm capacidade de serem criadores de novos símbolos. A maioria precisa de ser o “mero” executante para sobreviver. Resta saber se preferimos executantes com algumas condições de vida ou se preferimos escravizar outros povos e deixar na miséria grande parte dos indivíduos que vivem nos países ricos.

Contrastando com esta reportagem assistimos a mais um momento bucólico de assinatura de mais uma compra por parte da china de uma empresa portuguesa.

Como hoje se comemoram os 25 anos da morte de Zeca Afonso, nada melhor do que terminar com um verso de uma canção sua: «Eles comem tudo e não deixam nada…» (do Album Vampiros)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

David e Golias...

Era uma vez uma pequena empresa de um pequeno país chamado Portugal. A pequena empresa situava-se em Setúbal e devido à inteligência dos seus colaboradores conseguiu desenvolver um conjunto de fórmulas químicas que resultaram na produção de um produto de excelência.

Esse produto de excelência, tintas para pintura de navios, foi considerado como um dos melhores do mundo.

De repente, do outro lado do Atlântico, chegou um gigante com alguns milhões no bolso. Esse gigante que veio das terras do Tio Sam Americano resolveu encher os bolsos do dono da pequena empresa que fabricava tintas. O dono obviamente que aceitou os milhões que lhe ofereceram. De repente, o gigante depois de se ter apoderado das fórmulas que lhe permitiam produzir uma das melhores tintas do mundo, resolveu fechar a pequena empresa.

Moral da história. Viva o investimento estrangeiro. Viva o despedimento colectivo de todas as pessoas que trabalhavam na pequena empresa de gente com grandes cérebros.

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