Para que serve este blogue?

Este blogue foi criado para servir de suporte à divulgação de trabalhos académicos que realizei ao longo da minha licenciatura em Sociologia, do meu mestrado em Ciências do Trabalho e Relações Laborais e do meu Doutoramento, que estou a frequentar, em Sociologia.

Sem pretender atribuir aos trabalhos uma importância que provavelmente não têm, creio, contudo, que estes podem servir de referência a estudantes e/ou pessoas em geral que tenham interesse pelas temáticas relacionadas com a Sociologia e logo relacionadas com todos nós.

Apesar do objetivo central do Blogue ser aquele que atrás se menciona, por vezes sou tentado a apresentar a minha opinião sobre algum tema que julgue sociologicamente relevante.

A minha opinião sobre temas actuais não está prisioneira do rigor metodológico e conceptual a que estão obrigados os trabalhos académicos.

C.Santana

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Os Chineses e Nós...

De repente a China configura-se como uma espécie de Messias.
Parece que a visita que o Lider Chinês está a fazer a terras Europeias, incluindo a este nosso jardim de folhas secas, é uma espécie de peregrinação do grande irmão salvador da humanidade.
Com esta facilidade se passa da qualidade de inimigo da humanidade para a condição de Salvador.
Tianammen ocorreu há 21 anos. De facto já passaram duas décadas. A revolução cultural chinesa há bem mais tempo. Tempo mais do que suficiente para que a China tivesse mudado a sua política relativa à liberdade de expressão e ao respeito de outros direitos que designamos de humanos. Mas a verdade é que não o fez.
Apesar de toda a nova roupagem de que a China se reveste e que lhe foi proporcionada por eventos como os Jogos Olímpicos de Pequim ou mais recentemente pela Expo2010, a verdade é que a China é a mesma. Apenas está travestida.
Se a China é a mesma afinal o que se passou? Parece que a China se mantém coerente aos seus princípios - ditos abusivamente de comunistas - e que afinal quem mudou fomos nós. Precisamente aqueles que são os grandes defensores e promotores da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Tretas....
Afinal os Chineses deixaram de ser opressores. Os Tibetanos são uns tipos estranhos e todos os chineses que lutam pela liberdade, incluindo o actual prémio Nobel da Paz, são uma corja de aproveitadores e de desocupados.
Pois é...o VIL metal faz milagres.
A verdade é que o sistema capitalista está nas lonas e os pseudo comunistas chineses controlam a economia mundial. São os únicos que têm dinheiro para emprestar aos gastadores do mundo desenvolvido.
É a China que pode salvar o sistema capitalista. Tem piada não tem? Ao que nós (ocidentais) chegámos.



sábado, 9 de outubro de 2010

Para aqueles que começaram a sua vida académica

É sempre bom sermos reconhecidos pelo trabalho que desenvolvemos. Para termos mérito temos que estar numa instituição que promova e que incentive esse mérito. Por outro lado, ter mérito dificilmente é um objectivo. O mérito é um julgamento feito por alguém e como tal é sempre algo subjectivo. Quem traça como objectivo vir a ter mérito normalmente não chega a bom porto.

Por isso, esqueçam o mérito. Esforcem-se por algo em que acreditam. Não façam fretes. Não estudem apenas para passar de ano. Estudem pelo prazer de acederem ao conhecimento. Estudem como forma de se diferenciarem e de assim poderem cumprir alguns dos vossos objectivos. Se quiserem dos vossos sonhos.

Não se esqueçam que são privilegiados. Muitos como vós e como nós certamente que gostariam de aqui estar mas por diferentes motivos não o podem fazer.

Enquanto estudantes e como cidadãos devem ser críticos. Sobretudo devem ser críticos...não críticos do bota abaixo. Críticos na acepção académica da palavra. Ou seja, não dêem nada por adquirido, fujam ao senso comum, avaliem as questões de diversos ângulos e tentem perceber que nunca há apenas uma verdade.

Não digam mal apenas porque sim. Digam o que lhes vai na alma mas tenham a preocupação de apresentar a vossa opinião de forma fundamentada. Estejam preparados para serem igualmente criticados. É através do confronto de ideias, do processo dialéctico, como diria Marx, que se evolui social e culturalmente.

Questionem tudo. É neste questionamento da realidade que se encontra o embrião da mudança e se identifica a verdadeira acção social.

Aproveitem os espaços de liberdade, que ainda existem e que infelizmente parecem cada vez mais estreitos, para crescerem como pessoas. Não deixem que vos tirem esses espaços de liberdade que outros conseguiram conquistar e construam também vós novos espaços e novas liberdades.

Desejo que todos sejam bem sucedidos nesta aventura que agora começa. Vão ver que tudo isto acaba muito depressa...aproveitem enquanto é tempo.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Famílias Complexas «Cá em casa cabe sempre mais um»

Famílias Complexas

«Cá em casa cabe sempre mais um»


Introdução

A temática da família é certamente uma das que mais próxima estará de todos nós. Não nos podemos esquecer que a maior parte de nós nascemos e vivemos em contexto familiar.

Partindo de uma visão sistémica poderemos considerar a família como um sistema social. Neste contexto, assumindo que um sistema pode ser mais ou menos aberto, podemos facilmente entender que a família está permeável à influência de factores externos, sejam eles originários de outros sistemas sociais (ex: cultural, económico, religioso) ou de movimentos sociais que pretendem que a sociedade mude determinados aspectos da sua estrutura (ex: movimentos Gay) e que através da acção social dos indivíduos que os constituem ganham espaço e porta-vozes que vão abrindo brechas no sistema cultural prevalecente – padrão – e assim conquistam o seu espaço social e impõem as suas formas de representar a vida em sociedade.

Estas brechas e estas novas visões da vida em sociedade contribuem para que a estrutura da família se modifique.

A não permeabilidade do sistema familiar às influências de outros sistemas sociais e o seu fechamento à mudança, contribuiria certamente para que sofresse um processo entrópico e tendesse a implodir. Ou seja, a rigidez do conceito de família não lhe permitiria dispor da plasticidade necessária para a sua perpetuação e adaptação às novas realidades. Por outro lado, o excesso de abertura a visões diferenciadas daquilo que deve ser uma família poderá contribuir para a sua descaracterização e como tal para a perda da sua identidade.

A industrialização do processo produtivo veio provocar as mais dramáticas alterações que o homem presenciou desde o dia do seu aparecimento à superfície da terra. Para além de ter deixado de ser eminentemente rural, passou a ser confrontado com um conjunto de realidades completamente novas. O conceito de família foi reformado, a mulher passou a ter um outro papel na sociedade, a relação laboral passou a ser essencialmente subordinada e os indivíduos passaram a concentrar-se em aglomerados urbanos que não estavam minimamente desenhados para receber uma autentica avalanche de novos habitantes.

A urbanização da vida social, o trabalho fora do local de residência, a existência de horários de trabalho rígidos, o desenvolvimento dos sistemas de educação, o facto da mulher trabalhar e a laicização da vida social, são, entre outros, factores determinantes para que as características da família tradicional tivessem sido transformadas.

Presentemente, a família continua a ser um sistema social importante e que ainda funciona como uma espécie de farol e de âncora para os indivíduos, contudo, perdeu alguma da preponderância que já teve, designadamente como agente socializador dos mais novos. A dinâmica e os apelos da vida moderna fizeram com que muitas das competências de socialização que estavam centradas na família fossem transferidas para outros agentes: creches e jardins de infância, escolas, ATL, televisão, Internet, etc.

Apesar destas notas, o trabalho que nos propomos realizar concentra-se basicamente na análise crítica de um artigo da autoria de Pedro Vasconcelos intitulado: Famílias Complexas: Tendências de Evolução.

Iremos pois abordar aspectos relacionados com a evolução que este modelo de família (famílias complexas) tem sofrido em Portugal em particular no período de 1991 a 2001.

Começaremos o nosso trabalho por descrever os aspectos mais relevantes do artigo que acima referimos e num segundo momento iremos apresentar algumas considerações sobre a mesma temática com base num estudo realizado por outro autor.

I Parte

Famílias Complexas: Tendências de Evolução

Pedro Vasconcelos abordou as tendências de evolução das famílias complexas em Portugal durante o período de 1991 a 2001. Para tal efectuou uma análise de tipo estruturalista suportada em dados estatísticos dos censos de 1991 e 2001. Desta forma, comparando a evolução verificada de um registo censitário para outro, pretendeu traçar a evolução registada neste tipo de organização familiar.

O autor pretendeu igualmente analisar «o perfil social dessa população»[1], bem como determinar a forma como as famílias complexas se distribuem geograficamente pelo território português e o motivo pelo qual esta configuração familiar foi perdendo relevância.

Pedro Vasconcelos, apoiado em diversos autores (Laslell, Wall, Hammel), começa por caracterizar o que são famílias complexas. Neste contexto, o autor refere que as famílias complexas são caracterizadas por integrarem para além do núcleo simples (conjugais com ou sem filhos, ou monoparentais – pai ou mãe – com filhos) «…outras pessoas ou mesmo outros núcleos».[2]

Na primeira situação referida podemos mencionar que se tratam de agregados familiares alargados e na segunda de agregados múltiplos.[3]

O autor refere que historicamente e com base em estudos realizados em Portugal, designadamente por Le Play e seus colaboradores nas primeiras décadas do século XX, que se verificava que as famílias complexas eram uma realidade bastante presente, em particular nas comunidades rurais em que predominava a pequena propriedade e logo no norte do país.[4]

Apesar das constatações de Le Play e não negligenciando as assimetrias regionais, Pedro Vasconcelos refere que este tipo de organização familiar sempre foi minoritário em Portugal.

Pedro Vasconcelos refere que é claro o facto da organização familiar complexa «…ter vindo paulatinamente a perder peso relativo e absoluto no conjunto das estruturas domésticas portuguesas».[5] Para comprovar este facto apresenta dados estatísticos que demonstram que entre 1991 e 2001 as famílias complexas diminuíram cerca de 3,5%, passando de 440 mil para menos de 380 mil.

Para o autor esta quebra do número de agregados familiares complexos vem na sequência de uma diminuição ainda mais severa e que se terá iniciado na década de 1960.

Dentro da estrutura das famílias complexas são os agregados alargados que mais têm diminuído quando comparados com os múltiplos. Uma das explicações avançadas por Pedro Vasconcelos para esta realidade poderá estar relacionada com o isolamento crescente a que são votados os indivíduos mais idosos.[6]

Para além de se ter verificado uma diminuição no número relativo e absoluto de famílias complexas existentes em Portugal, Pedro Vasconcelos refere que se verificou igualmente uma alteração na própria estrutura organizativa das famílias. Ou seja, as famílias complexas deixaram de ter uma estrutura clássica e passaram a constituir-se, em muitos casos, por um núcleo composto por dois cônjuges e outro por um indivíduo jovem (quase sempre do sexo feminino) e respectivo filho. Isto é, as famílias complexas são constituídas predominantemente por dois cônjuges e um núcleo monoparental. Para Pedro Vasconcelos esta situação resulta do facto de se verificar uma fragilidade económica do núcleo monoparental e logo ter dificuldades em conseguir sobreviver de forma autónoma.[7]

Pedro Vasconcelos menciona igualmente que, apesar da situação crescente de isolamento dos idosos, as famílias complexas na sua componente de agregado alargado subsistem essencialmente devido ao acolhimento por parte dos filhos dos seus pais idosos. Esta realidade, segundo Pedro Vasconcelos, é constatada pela estrutura etária dos indivíduos pertencentes a agregados familiares alargados e pelo facto de predominarem os indivíduos do sexo feminino, facto que se deve à prevalência de indivíduos idosos do sexo feminino no contexto da sociedade Portuguesa.[8]

Estas constatações que são produzidas por Pedro Vasconcelos levam-nos a concluir que a vivência em famílias complexas não deriva de aspectos relacionados com a tradição ou cultura, mas que se sustenta eminentemente em aspectos de fragilidade económica e social. Um outro indicador, aportado por Pedro Vasconcelos, demonstra que maioritariamente as famílias complexas são constituídas por indivíduos com níveis de instrução baixos.[9]

Como foi referido no inicio deste trabalho as famílias complexas não se encontram uniformemente distribuídas pelo território nacional. Pedro Vasconcelos refere que em 2001 as famílias complexas localizavam-se essencialmente na região do Minho e restante zona norte, bem como nas ilhas.[10]

Pedro Vasconcelos indica que estas variações regionais só podem ser claramente explicadas com a realização de estudos que tenham em atenção a relação existente entre a complexidade familiar e a estrutura sócio económica predominante em cada região.[11]

Em jeito de conclusão, Pedro Vasconcelos diz que as famílias complexas, apesar da diminuição que se vem verificando de forma sustentada desde a década de 1960 e particularmente entre 1991 e 2001, apresentam ainda um número relativamente elevado em Portugal.[12]

Esta diminuição da complexidade familiar é, segundo Pedro Vasconcelos, resultado das melhores condições de vida que se vêm verificando desde há cerca de três décadas, associada a mudanças culturais que se relacionam com a modernidade. Esta situação implica que as famílias complexas se constituam como que numa espécie de enclave dos indivíduos menos dotados social e economicamente.[13]

Uma outra razão para a diminuição dos agregados de famílias complexas é, para Pedro Vasconcelos, o isolamento crescente, voluntário ou forçado, dos idosos.[14]

II Parte

Famílias Complexas: Uma Outra e Mesma Visão

A subsistência de diversas tipologias de família designadamente das famílias complexas – por alargamento ou multiplicidade – parecem querer contrariar as ideias clássicas aportadas por autores como Morgan e corroboradas por outros como Engels[15]. Estes autores defendiam de certa forma, como nos refere Cristina Santos Silva[16], que a família estava condicionada por uma espécie de evolução determinista e que tenderia a culminar num modelo de família nuclear.

Ainda segundo Cristina Santos Silva[17] a família nuclear era, mesmo antes do processo de industrialização, o modelo predominante. Ou seja, quando os indivíduos eram eminentemente rurais era a família nuclear que predominava.

É senso comum entender-se que a urbanidade é sinónimo de famílias nucleares, sejam elas conjugais ou monoparentais, e que na ruralidade predominam outras tipologias, designadamente as famílias complexas. Também esta ideia feita não encontra nas investigações empíricas uma sustentação científica[18].

Cristina Santos Silva desenvolveu um trabalho que visava estudar as famílias complexas num bairro histórico de Lisboa, Alfama. Esta autora conclui, tal como Pedro Vasconcelos, que o principal motivo pelo qual as famílias complexas se constituem tem a ver com aspectos de carência económica e social. Coincidem igualmente quanto ao facto dos indivíduos que compõem estas famílias serem detentores de níveis de instrução baixos.

Pode pois concluir-se que a ruralidade ou a urbanidade não são factores decisivos para a existência de famílias complexas. Estas derivam essencialmente de aspectos sócio económicos e consequentemente por necessidade de manter laços de solidariedade que permitam enfrentar de forma menos dura a realidade do dia-a-dia. Exemplo desta solidariedade familiar é o facto de todos os indivíduos das famílias complexas terem uma divisão funcional de tarefas muito específica e contribuírem todos – pelo menos os que têm rendimentos – para o orçamento familiar. A família é gerida como uma espécie de pequena comunidade em que os direitos e deveres são partilhados por todos.[19] Inclusive, a família substitui o Estado em muitas das funções que lhe estão confiadas nas sociedades de tipo ocidental nos países desenvolvidos (guarda de crianças por parte dos avós, cuidados à terceira idade, etc).[20]

As famílias complexas parecem ser, com base na informação produzida pelos autores citados, algo não natural. Ou seja, tendem a desaparecer à medida que as condições económico sociais melhoram.

***

Bibliografia

VASCONCELOS, Pedro, Famílias Complexas: Tendências de Evolução, Sociologia, Problemáticas e Práticas, nº 43, 2003.

ENGELS, Friedrich, A Origem da Familia, da propriedade Privada e do Estado, Edições Avante, Lisboa, 2ª edição, 2002.

SILVA, Cristina Santos, Famílias de Alfama, Imprensa de Ciências Sociais, Lisboa, 2001.




[1] Pedro Vasconcelos, Famílias Complexas: Tendências de Evolução, Sociologia, Problemáticas e Práticas, nº 43, 2003, p. 83.

[2] Idem.

[3] Idem.

[4] Pedro Vasconcelos, Op. Cit., p. 84.

[5] Ibidem, p. 85.

[6] Pedro Vasconcelos, Op. Cit. p. 85.

[7] Ibidem, p. 88.

[8] Pedro Vasconcelos, Op. Cit., p. 88.

[9] Mais de 50% das famílias complexas em 2001 eram constituídas por indivíduos com o 1º ciclo do ensino básico. Apenas 5,7% das famílias complexas em 2001 possuíam licenciatura ou grau académico superior. Pedro Vasconcelos, Op. Cit., Quadro 2, p. 87.

[10] Pedro Vasconcelos, Op. Cit., p. 92-96.

[11] Ibidem, p. 95.

[12] Idem.

[13] Idem.

[14] Idem.

[15] Friedrich Engels, A Origem da Família, da propriedade Privada e do Estado, Edições Avante, Lisboa, 2ª edição, 2002.

[16] Cristina Santos Silva, Famílias de Alfama, Imprensa de Ciências Sociais, Lisboa, 2001, p. 20.

[17] Idem.

[18] Cristina Santos Silva, Op. Cit., p. 22.

[19] Ibidem, p. 106..

[20] Cristina Santos Silva, Op. Cit., p. 132.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Será que estamos realmente a mudar a consciência?

Será que estamos realmente a mudar a consciência? O paradigma económico baseado na economia de mercado tem como alimento, da sua voraz necessidade de vender novos produtos, a depredação dos recursos naturais. Para sairmos da crise em que actualmente nos encontramos todos os analistas são unânimes em considerar que é necessário estimular os mercados e aumentar o consumo. Para aumentar o consumo é necessário gastar mais energia – essencialmente de origem fóssil – e consumir mais matérias-primas. Em suma, é necessário aumentar a depredação dos recursos naturais e consequentemente contribuir para o desequilíbrio ecológico.

Ao mesmo tempo, os diferentes media procuram divulgar um conjunto de comportamentos “cívicos” que procuram dar resposta, ou pelo menos minimizar, determinados problemas ambientais. Ensinam as populações a utilizar o “ecoponto”, a reciclar os resíduos, a gastar menores quantidades de água, a viajar de transportes públicos... E, no entanto, quase de imediato, alertam os indivíduos para os gravíssimos perigos da crise económica, cuja resolução se torna absolutamente urgente.

Temos, portanto, duas espécies de problemas. Verifica-se que as suas resoluções são incompatíveis. O que fazer nesta situação? Devem as sociedades esforçar-se mais do ponto de vista ecológico ou económico?

O que é mais importante: o planeta ou o capital?

O principal país responsável pelo desequilíbrio ambiental em que a terra se encontra são os Estados Unidos da América. Esta evidência não é negada por ninguém, nem mesmo pelos Americanos.

Cremos que não se deve dissociar a questão ecológica da globalização. A globalização, em particular a económica, revela-se egoísta. Os interesses dos países “globalizadores” não devem ser prejudicados independentemente do eventual dano que possam causar. Os países “ricos” nada fazem para mudar o seu estilo de vida em prol de um mundo mais equilibrado e justo. O seguinte trecho, retirado de um discurso do ex-presidente dos EUA, George W. Bush, serve para elucidar o que atrás foi referido: «Nada faremos que prejudique a nossa economia porque primeiro está o mais importante, que são as pessoas que vivem na América».[1] Curiosamente o seu pai, George Bush, disse anos antes (em 1992) algo muito similar: «O estilo de vida Americano não é passível de negociação».[2]

Esta arrogância e este etnocentrismo são o espelho da globalização económica.
«…a sociedade é arrastada para uma profunda anarquia moral e politica que parece ameaçá-la de uma próxima e inevitável dissolução….Desde o momento em que esta crise começou a manifestar-se até ao momento presente, a tendência para a desorganização do antigo sistema foi a dominante…»[3]

A citação acima transcrita poderia facilmente ter sido retirada de um artigo de opinião, de um jornal de hoje, sobre a crise que presentemente estamos a viver. Contudo, foi produzida por Augusto Comte em 1822. De facto, a história parece querer de tempos a tempos repetir-se. Marx e Engels também eles se manifestaram sobre as crises cíclicas do sistema capitalista: «Nas crises irrompe uma epidemia social que teria parecido um contra-senso a todas as épocas anteriores – a epidemia da sobreprodução.

E como triunfa a burguesia nas crises? Por um lado, pela aniquilação forçada de uma massa de forças produtivas; por outro lado, pela conquista de novos mercados e pela exploração mais profunda de antigos mercados. De que modo, então? Preparando crises mais omnilaterais e mais poderosas, e diminuindo os meios de prevenir as crises».[4]

Estas crises apesar de serem eminentemente de carácter económico, a verdade é que contaminam todas as imensões da vida social. Sendo, na óptica Marxista, a infra-estrutura económica determinante da superstrutura moral, ideológica e cultural, temos que todas as dimensões da intervenção humana são afectadas. Marx e Engels referem «Que prova a história das ideias senão que a produção espiritual se reconfigura com a da material? As ideias dominantes de um tempo foram sempre apenas as ideias da classe dominante».[5]
Apesar de serem visíveis alguns sinais de mudança, tais como a socialização das crianças para uma maior consciência ecológica e o investimento em fontes energéticas limpas, a verdade é que todas estas iniciativas, que devem ser estimuladas, representam um esforço muito pequeno comparado com a tarefa gigantesca que é necessário empreender para mudar o rumo do nosso planeta. A mudança de comportamentos envolve a necessidade de uma nova consciência global.

A mesma tarefa que terá de partir de todos e de cada um: a de uma nova consciencialização e Educação para o Futuro.

Artigo escrito em parceria com Maria Correia e Odete Reis.

[1] George W. Bush in Peter Singer, Um Só Mundo – A ética da globalização, Gradiva, Lisboa, 2004, p. 26.

[2] Idem.

[3] Augusto Comte, Reorganizar a Sociedade, Guimarães Editores, Lisboa, 4ª edição, 2002, p. 29.

[4] Karl Marx e Friedrich. Engels, Manifesto do Partido Comunista, Edições Avante, Lisboa, 2004, 4ª edição, p. 42.

[5] Ibidem, p. 55.

Afinal porque somos assim?

Embora simpatize com o pensamento de Rousseau a verdade é que não faz muito sentido dizer que o homem em estado selvagem (natural) é bom e é a sociedade que o corrompe. O Homem é por natureza um ser social. O Homem não poder ser desintegrado do contexto social. Sem sociedade não existe ser humano. Já Aristóteles dizia que "O homem que não precisa da sociedade ou é um Deus ou um animal". Marx diz algo semelhante e na continuidade deste raciocínio ao referir que «...é a consciência do homem determinada pelo seu ser social».[1]

Marx vai mais longe ao considerar que o que distingue os homens dos animais é o facto das capacidades e gostos humanos serem um produto social e que o individuo isolado não passa de uma ficção. O indivíduo funciona como uma esponja que absorve, através do processo de socialização, as formas de pensar, sentir e agir que lhe são passadas pelas gerações mais velhas.

O indivíduo não é contudo um ser neutro e contribui através da interacção social para a transformação da sociedade.[2]

Marx vê o indivíduo como um ser social que resulta de todo um passado histórico. Mas não deixa de o encarar, igualmente, como um transformador da realidade social.

Para Marx o Homem é um "produto" da história e não um mero resultado do contexto social presente. O que somos hoje resulta do que formos ontem. Este carácter de homo historicus que Marx atribui aos indivíduos é uma referência importante no seu método de análise da evolução social e de explicação das razões que lhe estão inerentes.

Marx utiliza o materialismo histórico para explicar a evolução social. Marx considera que a sociedade é «Um produto histórico, o resultado de uma sucessão de gerações, cada uma das quais como que subindo para os ombros da que a precedeu…»[3]

Ao pensamento de Rousseau poderíamos opor igualmente o de John Locke ou de Thomas Hobbes quando estes defendem que o Homem é mau por natureza e são as regras sociais que o “domesticam”.

Poderia igualmente recorrer-se ao pensamento de Norbert Elias. Elias refere que de facto individuo e sociedade não é exactamente a mesma coisa. Não se pode dizer simplesmente que uma sociedade é um conjunto de indivíduos. Tal como não se pode dizer que uma casa é um conjunto de pedras ou uma floresta é um conjunto de árvores.[4] A sociedade, utilizando uma linguagem sistémica, é qualitativamente superior ao somatório da acção social de cada indivíduo, contudo, não se pode dizer que seja algo exterior aos indivíduos. É antes algo que é construído, como diz Elias, muitas vezes de forma não intencional e sem que os indivíduos estejam em condições de predizer as consequências futuras da sua acção.

Norbert Elias reforça a ideia de que não faz sentido referir que as estruturas ou os sistemas coagem o indivíduo. Isto porque os sistemas e as estruturas são corporizados por indivíduos e não existem por si só. Quando muito pode dizer-se que indivíduos coagem outros indivíduos.[5] Esta questão remete para o que Elias considera poder. Para ele o poder desenvolve-se, tal como as classes sociais, do inter-relacionamento que se desenvolve entre os indivíduos e das relações de dependência que dai derivam. Ou seja, somos mais ou menos poderosos consoante os indivíduos dependem mais ou menos de nós.

É igualmente interessante analisar o comportamento do Homem à luz do conceito de Homo Demens que Morin apresenta na sua obra o paradigma Perdido e a Natureza Humana.[6] De facto, o Homem apresenta características completamente distintas, por um lado é capaz dos actos da mais profunda entrega ao próximo e por outro é capaz das maiores barbaridades. O Homo Demens (demente) é uma espécie de alter ego do Homo Sapiens.

O Homem padece de uma espécie de esquizofrenia genética que é passada intergeracionalmente.


[1] Marx in Peter Berger e Thomas Luckmann, A Construção Social da Realidade, Dinalivro, Lisboa, 2ª edição, 2004, p. 17.

[2] Karl Marx in Anthony Giddens, Capitalismo e Moderna Teoria Social, Editorial Presença, Lisboa, 6ª edição, 2005, p. 42

[3] Ibidem, p. 53.

[4] Norbert Elias, A Sociedade dos Indivíduos, Dom Quixote, Lisboa, 2ª edição, 2004.

[5] Idem.

[6] O Paradigma Perdido e a Natureza Humana, Publicações Europa-América, Mem Martins, 6ª edição, 2000.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Crise Internacional… Porque há discursos que me irritam…

Diariamente somos confrontados com a crise económica e financeira que assola todos os países. É verdade! A crise pela qual estamos a passar é tão ou mais grave do que a grande recessão que se abateu sobre os Estados Unidos e consequentemente sobre todo o mundo no final da década de 1920.

Alguns analistas, creio que com razão, referem que as consequências sociais da crise actual são menos agudas. Isto porque, a generalidade dos países desenvolvidos, em particular da Europa Ocidental, dispõem de sistemas de protecção social que servem como amortecedores e não deixam que as situações de carência económica das famílias cheguem a situações extremas.

Pensemos então no que poderia ou poderá acontecer caso as políticas neo-liberais venham a ser implantadas de forma generalizada no continente Europeu. Será que numa situação de sistemas económicos e sociais baseados no neo-liberalismo as respostas sociais produzidas pelos Estados poderiam ser operacionalizadas da forma que foram para responder à actual crise? Fica a interrogação.

Vamos agora analisar o sistema que suporta a economia dos estados da Europa Ocidental e dos Estados Unidos da América. Ou seja, debrucemo-nos sobre o sistema capitalista.

Todos os dias ouvimos dizer que estão a promover um ataque sobre algumas economias da Europa, em particular sobre Portugal e por arrastamento sobre a Espanha e Irlanda. Mas afinal quem nos está a atacar? Os Marcianos? Não creio. Os castelhanos? Já não existem. Os poderes mais ou menos ocultos do divino firmamento? Parece que não, afinal vamos ter a visita do papa? Mas afinal quem nos ataca?

Parece que quem nos ataca são as organizações que controlam a alta finança mundial. Ou seja, os grandes bancos internacionais e os seus investidores que se dedicam à especulação financeira. Parece pois que quem nos ataca pertence à nossa espécie e não é nenhum alienígena ou Deus do Olimpo.

Podemos pois dizer que a nossa doença deriva do sistema económico em que vivemos. Por acaso dois senhores que viveram no século XIX disseram o seguinte:

«Nas crises irrompe uma epidemia social que teria parecido um contra-senso a todas as épocas anteriores – a epidemia da sobreprodução.

E como triunfa a burguesia nas crises? Por um lado, pela aniquilação forçada de uma massa de forças produtivas; por outro lado, pela conquista de novos mercados e pela exploração mais profunda de antigos mercados. De que modo, então? Preparando crises mais omnilaterais e mais poderosas, e diminuindo os meios de prevenir as crises».[1]

Parece poder depreender-se, das afirmações acima transcritas, que o capitalismo é um sistema irracional e caracterizado pelo canibalismo social e económico e que não olha a meios para alcançar os seus intentos, mesmo que essa prática possa conduzir à ruína o próprio sistema capitalista.

Esta irracionalidade do sistema capitalista é visível no facto de insistir na diminuição massiva da força de trabalho como forma de reduzir custos e na redução de direitos sociais. Sem consumidores económica e financeiramente favorecidos e sem empregos estáveis é impossível ao sistema capitalista manter altos níveis de produção e de escoamento dos seus produtos e serviços.

Voltemos aos bancos. Diariamente somos confrontados com o facto dos Estados necessitarem de ir ao mercado internacional para se financiarem. Isto é, vamos a mega bancos pedir dinheiro. Acontece que o dinheiro existe, caso contrário os Estados não se poderiam financiar. Verifica-se um aproveitamento por parte desses bancos. Como existe muita procura de financiamento dão-se ao luxo de aumentarem as taxas de juro. Tudo isto faz algum sentido em termos de sistema capitalista; quem quer dinheiro tem que pagar por isso. Quanto mais procura mais alta a taxa de juro. Parece fazer sentido. O problema é que esta lógica está a minar o próprio sistema capitalista. O sistema está a ser corroído por um vírus que faz parte do seu ADN.

Como tudo na vida, ou quase tudo, existem situações alternativas. Vamos lá ver. O sistema capitalista está em crise. A solução para a crise parece ser uma maior crise devido ao endividamento a que os Estados ficam sujeitos. O problema maior é de liquidez financeira. Existem bancos com liquidez, caso contrário os Estados não se poderiam financiar. Logo, parece que a solução é simples…NACIONALIZE-SE A RIQUEZA. Ao nacionalizar-se a riqueza esta fica na dependência dos Estados. Considerando que os Estados vivem cada vez mais numa situação de interdependência devido à globalização da economia e ao facto de muitos fazerem parte de espaços económicos alargados (como o caso da União Europeia) então não lhes interessa que os Estados com os quais interagem fiquem numa situação de colapso económico-financeiro e como tal poderão emprestar dinheiro a custos reduzidos aos Estados em situação mais frágil.

Parece pois que a situação proposta é perfeitamente viável. O problema é que os Estados-Nação estão cada vez mais em causa. Quem dirige os destinos do planeta são homens de rosto encoberto e de nome desconhecido.

Não nos deixemos enganar por discursos bem intencionados. Se foi possível nacional bancos e multinacionais em situação económica difícil e com custos para os Estados também se podem nacionalizar os bancos e as empresas que efectivamente são os culpados da crise e continuam a lucrar com ela.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Porque deixaram as crianças de brincar na rua?

Vou apenas relatar parte da minha juventude. Presentemente tenho 44 anos. Nasci em 21 de Dezembro de 1965. Quer isto dizer que as minhas brincadeiras de “rua” se desenvolveram essencialmente entre a década de 1970 e início da década de 1980.

Na época residia numa das freguesias da cidade de Almada, no Laranjeiro. Curiosamente na altura o Laranjeiro nem sequer era freguesia. Era uma localidade da freguesia da Cova da Piedade. Apenas passou à condição de freguesia urbana integrada na cidade de Almada em 1989.

A rua onde residia e onde os meus pais ainda residem – Rua Padre Américo – é constituída, basicamente, por pequenos prédios e algumas moradias.

A referida rua e o Laranjeiro não dispunham de qualquer infra-estrutura desportiva, ao ar livre ou coberta, em condições para a juventude praticar desporto ou qualquer outra actividade lúdica. A excepção à regra era o Clube de Instrução e Recreio do Laranjeiro. Clube onde pratiquei algumas modalidades desportivas: ginástica desportiva, badmington, voleibol.

Face a estes constrangimentos infra-estruturais, em que espaço desenvolvíamos as nossas actividades? A resposta é simples. Na rua! Ou seja, era na rua que jogávamos à bola até haver luz, era na rua que brincávamos à apanhada, às escondidas, ao alho, ao bate pé, ao pião, ao espeta, ao carolo…

A minha rua tinha miúdos de várias idades e em grande quantidade. Na rua não existiam espaços verdes nem recintos apropriados à prática desportiva ou outras.

Presentemente, a cidade e restante concelho de Almada dispõe, quanto a mim, das melhoras infrae-struturas desportivas do país e de um parque urbano de excelente qualidade (parque da Paz). Vários são os clubes que promovem desporto de formação e que dispõem de instalações próprias. Isto é, houve uma evolução qualitativa ao nível dos equipamentos públicos disponibilizados às crianças e jovens para praticarem desporto e actividades lúdicas.

A evolução em termos desta tipologia de insfra-estruturas deu-se um pouco por todo o país.

Então o que aconteceu? Porque motivo as crianças deixaram de brincar na rua? Existem diversas respostas e estas diferem consoante a zona do país ou do mundo em que existem crianças.

Vou apenas tentar encontrar algumas respostas mais uma vez tendo por suporte a minha história pessoal. Presentemente tenho um filho com 11 anos de idade. Idade em que eu brincava na rua com diversos amigos da mesma idade. O meu filho não brinca na rua, nem conhece nenhum amigo que resida na mesma rua. A rua onde resido presentemente tem muito mais condições para se brincar na rua do que a minha rua de infância. Tem pouco trânsito, tem alguns espaços verdes e tem um polidesportivo ao ar livro a poucos metros de distância.

Temos então que encontrar algumas respostas: porque carga de água os miúdos não brincam na rua? Em primeiro lugar porque nós pais e encarregados de educação não os deixamos brincar na rua. Brincar na rua tornou-se algo pouco burguês. Quem brinca na rua são os miúdos vádios. Os miúdos de bem brincam em casa.

As nossas mães, pelo menos a minha, estavam em casa. Quando regressávamos a casa depois de acabadas as aulas podíamos ir brincar para a rua com os nossos amigos. Agora depois das aulas os miúdos vão para o ATL até às 19h00. Depois vão para casa porque no dia seguinte têm que se levantar de madrugada para repetir a mesma rotina.

No fim-de-semana vamos ao centro comercial fazer compras. Se houver tempo vamos dar uma volta. Não nos podemos esquecer que temos que fazer os trabalhos de casa.

Por acaso, ou por minha influência, o meu filho tem a felicidade de praticar desporto – Andebol – num clube de Almada (Almada Atlético Clube). É um miúdo sociável e tem muitos amigos e conhecidos. Embora nenhum seja da rua onde reside.

Depois não nos esqueçamos que cada vez há menos miúdos. No meu prédio apenas existe um miúdo da idade do meu filho. No prédio onde eu residia quando era criança éramos 10 miúdos dentro do mesmo escalão etário e o prédio tinha menos moradores.

A verdade é que se alteraram os hábitos sociais.


Quem tem o privilégio de ter nascido na época pré-centros comerciais, sabe que então todos tínhamos o hábito de passear na rua com os nossos pais. O passeio consistia nada mais, nada menos do que na observação das montras das lojas que existiam um pouco por toda a parte. Costumava-se dizer que íamos ver as “montras”.


A verdade é que esse hábito social se mantém. Na prática continuamos a ver as “montras”. Acontece que as “montras” não estão directamente na rua mas sim dentro de um centro comercial.


Os centros comerciais de grande dimensão funcionam como estruturas agregadoras que permitem que os indivíduos consigam satisfazer todas as suas necessidades de consumo e de lazer no mesmo espaço. No inverno são locais acolhedores e no verão são frescos.

Perdeu-se a cultura da rua. Ou porque há mais trânsito, ou porque não é próprio para os meninos de bem, ou porque não há tempo, ou porque é perigoso. Ou porque somos todos bacocos e preferimos enfiarmo-nos num centro comercial quando na rua está um excelente dia de sol. É verdade o sol também faz mal!

Deixámos a rua para os marginais e para os cães abandonados.

Não me quero alargar mais… Faltava falar do apelo dos jogos electrónicos, da televisão, da internet, do Macdonald’s, etc…etc…Ou seja, faltava falar da influência que a sociedade de consumo e que a globalização tiveram na alteração dos nossos comportamentos.

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