Para que serve este blogue?

Este blogue foi criado para servir de suporte à divulgação de trabalhos académicos que realizei ao longo da minha licenciatura em Sociologia, do meu mestrado em Ciências do Trabalho e Relações Laborais e do meu Doutoramento, que estou a frequentar, em Sociologia.

Sem pretender atribuir aos trabalhos uma importância que provavelmente não têm, creio, contudo, que estes podem servir de referência a estudantes e/ou pessoas em geral que tenham interesse pelas temáticas relacionadas com a Sociologia e logo relacionadas com todos nós.

Apesar do objetivo central do Blogue ser aquele que atrás se menciona, por vezes sou tentado a apresentar a minha opinião sobre algum tema que julgue sociologicamente relevante.

A minha opinião sobre temas actuais não está prisioneira do rigor metodológico e conceptual a que estão obrigados os trabalhos académicos.

C.Santana

quinta-feira, 17 de março de 2011

Os Maias, as Desgraças e Nós...

Tenho uma profunda admiração por quem acredita em algo sobrenatural, chamemos Deus ou qualquer outra coisa, que controla a vida dos seres humanos. Contudo, creio que a nossa vida seria demasiado fútil e desinteressante se apenas nos limitássemos a viver uma vida que Alguém pré-programou. Os determinismos religiosos, místicos ou outros, são normalmente uma forma de controlo social. Controlo esse que visa que os indivíduos submetam a sua conduta a um conjunto de princípios e de valores que foram constituídos por quem detém ou deteve o poder (seja esse poder moral, religioso, económico, cultural) e pretende criar um modelo social ao qual os indivíduos se devem conformar.

A religiosidade, seja ela mais primitiva ou mais evoluída, tem uma grande componente de controlo social. Normalmente, no que concerne à religião, o controlo social faz-se através do medo. Apresenta-se um ser como supremo ao qual todos devemos obedecer. Caso não obedeçamos ficamos sujeitos às sanções punitivas que emanam do próprio sistema de controlo social.

A cultura Maia é de facto relevante em termos históricos. Desenvolveu a matemática e a Astronomia. Tal feito foi alcançado por outras culturas como a Egípcia, Árabe, Asteca, etc. Como tal, não vejo, apesar de não conhecer em pormenor a cultura Maia, o que a pode elevar à condição de cultura suprema com capacidade para prever um futuro longínquo. Mesmo que tenham previsto algo, baseado em observações proto-astronómicas, essas observações para terem algo de factual só poderiam referir que a conjugação de fenómenos que podem resultar de um determinado tipo de alinhamento da terra com o sol e com o centro da nossa galáxia poderá resultar na proliferação de alguns fenómenos naturais (vulcões, terramotos, ondas gigante, etc). Assim sendo, pergunto: o que é que isto tem a ver com a forma como os seres humanos pensam e veem o mundo? Estamos a falar de fenómenos físicos e não da alteração da mentalidade devido à intervenção de um ser misterioso que nos pretende alterar a forma como interagimos socialmente.

Por vezes, ou quase sempre, somos demasiado centrados no nosso umbigo. Os humanos pensam que todo o universo gira à sua volta. Até nos damos ao luxo de termos um ou mais Deuses que zelam pela nossa vida. Esquecemo-nos que somos poeira cósmica quando comparados com a dimensão do universo. Somos antropocentristas, achamos que tudo é feito à nossa medida. É por isso que o nosso planeta está da forma que o conhecemos. Armámo-nos em donos da Terra. Todos os seres que connosco partilham o Planeta vivem em nossa função.

É facto que o conhecimento não tem apenas uma fonte. O conhecimento científico é uma forma de conhecimento e não é todo o conhecimento. Contudo, não podemos embarcar em tudo o que supostamente é conhecimento (seja ele cientifico, social, politico, religioso, emocional….). se não tivermos espírito critico facilmente somos manipulados. A manipulação é mais outra forma poderosa de controlo social.

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