Para que serve este blogue?

Este blogue foi criado para servir de suporte à divulgação de trabalhos académicos que realizei ao longo da minha licenciatura em Sociologia, do meu mestrado em Ciências do Trabalho e Relações Laborais e do meu Doutoramento, que estou a frequentar, em Sociologia.

Sem pretender atribuir aos trabalhos uma importância que provavelmente não têm, creio, contudo, que estes podem servir de referência a estudantes e/ou pessoas em geral que tenham interesse pelas temáticas relacionadas com a Sociologia e logo relacionadas com todos nós.

Apesar do objetivo central do Blogue ser aquele que atrás se menciona, por vezes sou tentado a apresentar a minha opinião sobre algum tema que julgue sociologicamente relevante.

A minha opinião sobre temas actuais não está prisioneira do rigor metodológico e conceptual a que estão obrigados os trabalhos académicos.

C.Santana

sexta-feira, 21 de julho de 2023

Que futuro para o saber e a educação?

Conceitos-chave:

Educação: existem vários conceitos sociológicos para definir o que se entende por educação. Assim, iremos escolher um que julgamos mais adequado ao contexto do nosso trabalho. Kellerhals e Montandon[1] abordam a questão da educação como um processo diferenciado da socialização. Para estes autores, a educação «(…) contém apenas os aspectos intencionais e a segunda (socialização) diz respeito a todas as transformações e influências a que a criança é sujeita, por pressão exterior». Pode inferir-se que, de acordo com esta perspectiva, a educação resulta de uma atitude proactiva. Ou seja, os educadores agem intencionalmente sobre os indivíduos para que estes interiorizem os “conteúdos" estabelecidos pelo sistema formal de ensino. Sendo que a socialização é um processo pelo qual os indivíduos assimilam os valores predominantes da sociedade, em que estão inseridos, através de diversos mecanismos: imitação, interacção social face-a-face, comunicação social, etc. Podemos dizer que educação é uma socialização formal e a socialização uma educação informal.

Sistema social: para definir sistema social iremos suportar-nos em Talcott Parsons. Para Parsons, característica aliás partilhada com todos os funcionalistas, a sociedade apresenta-se como um sistema no qual os indivíduos interagem.

Esta perspectiva recupera a visão Durkhermiana da sociedade. Recupera igualmente a perspectiva organicista herdada de Herbert Spencer em que a sociedade é comparada, metaforicamente, com um ser orgânico em que as suas diversas componentes (estruturas ou subsistemas) são interdependentes e contribuem para a harmonia do todo (sistema).[2]

Parsons parte pois do pressuposto que a sociedade se constitui como um sistema que está estruturado em diversas partes designadas por estruturas ou subsistemas. «Na abordagem do funcionalismo estrutural, as instituições sociais têm funções específicas no interior das sociedades, ainda que todas concorram para um objectivo comum.».[3]

Os diversos subsistemas que enformam a sociedade contribuem para a sua estabilidade.

Deve entender-se a estabilidade social como um processo dialéctico. Ou seja, algo dinâmico e que sistematicamente procura encontrar um ponto de equilíbrio.

E-learning: sistema de ensino-aprendizagem “à distância” baseado na utilização de computadores e/ou outros meios electrónicos. Neste processo, professor e aluno encontram-se fisicamente separados, comunicando uns com os outros através da Internet.

A educação é sem dúvida um dos sistemas sociais mais relevantes na sociedade actual. A educação é, em particular nos países ocidentais, a principal fonte de saber. Se preferirmos, de conhecimento. A verdade é que tal como outros sistemas sociais também a educação está num momento de transição e de alguma forma à procura do seu novo caminho. O trilhar desse novo caminho implica passar por processos de ruptura e de reajustamento que mais não são do que mecanismos que visam encontrar um novo equilíbrio para o sistema social.

Actualmente, assiste-se a uma nova revolução desse mesmo sistema, não só devido às transformações da própria sociedade, mas também, e principalmente, devido aos desenvolvimentos tecnológicos mais recentes. É cada vez mais comum ouvir-se falar em “quadros interactivos”, computadores portáteis e outros meios electrónicos ao dispor de uma classe de alunos cada vez mais jovem e abrangente. À medida que a educação se vai informatizando, surgem ferramentas que permitem que o ensino se faça “à distância”, isto é, no chamado regime de e-learning. Este método encontra-se em expansão, sobretudo nos meios universitários.

Podemos perguntar-nos: quais as vantagens e desvantagens, para o professor e para o aluno, deste novo “sistema” de ensino? Até que ponto é que uma aprendizagem feita online pode contribuir para o desenvolvimento pessoal e social do indivíduo? Serão os conhecimentos teóricos, transmitidos por via electrónica, mais relevantes do que as competências sociais adquiridas através do contacto com professores e colegas “reais”?

Há quem defenda que o e-learning é o modelo de educação do futuro.[5] Pensamos que esta afirmação faz tanto sentido como dizer que as redes sociais no futuro vão ser todas virtuais e que a interacção humana, característica eminente do ser social que somos, vai passar a fazer-se na íntegra por meios electrónicos. Assim sendo, poderemos dizer que estaremos na presença de um novo SER que não o Humano.

A tecnologia só é boa quando de facto é uma mais-valia para os seres humanos e quando contribui para a elevação do nosso conhecimento e bem--estar. Não nos devemos adaptar, acriticamente, à tecnologia que nos põem à frente. Nem sempre o que é mais tecnológico é o melhor.

Acreditamos que as tecnologias não podem e não devem invadir o espaço das relações humanas. A educação não poderá ser “total” se não constituir, ela própria, um processo “social”.

Depois destas considerações importa também referir que a educação deve servir para algo. Assim, pensamos que a primeira coisa que tem que se fazer é colocar a questão: para que serve a educação? Em seguida deveremos perguntar: como fazer educação, qual o modelo mais adequado tendo em consideração os objectivos que se pretendem alcançar? Afinal o que se pretende? Queremos uma educação que olha para os indivíduos de forma holística e portanto privilegiando o seu desenvolvimento integral ou apenas pretendemos formar técnicos que executem uma função social de forma eficaz sob o ponto de vista do modelo capitalista? Ou seja, pretendemos apenas formar indivíduos produtivos economicamente?

Importa saber se queremos formar pessoas com espírito crítico e capacidade de raciocinar ou apenas cumpridores de deveres e conformistas. Esta perspectiva vem na óptica Parsoniana de sociedade[6]. É isto que queremos? Se for, onde fica a mudança social, a evolução e o próprio individualismo tão defendido (ou talvez nem tanto) pelo modelo capitalista?

Defendemos pois uma educação mais Humana e consequentemente um saber, um conhecimento que se configurem como vectores de mudança social. Para Guy Rocher, a mudança social «É toda a transformação, observável no tempo, que afecta, de maneira que não seja provisória ou efémera, a estrutura ou o funcionamento da organização social de dada colectividade e modifica o curso da história. É a mudança de estrutura resultante da acção histórica de certos factores ou de certos grupos no seio de dada colectividade.» [7]

Trabalho realizado em Grupo com Maria Correia e Odete Reis.

Bibliografia

DIOGO, Ana Matias, famílias e Escolaridade – representações parentais da escolarização, classe social e dinâmica familiar, Edições Colibri, Lisboa, 1998.

GIDDENS, Anthony, Sociologia, Fundação Calouste Gulbenkian, 5ª edição, Lisboa, 2007.

PINTO, Conceição Alves, Sociologia da Escola, McGraw-Hill, Lisboa, 1995,

PONCE, Anibal, Educação e Luta de Classes, Vega, Lisboa, 1979.

http://www.astd.org/LC/2009/0909_carliner.htm, Junho de 2010

CUIM, Charles–Henri GRESLE, Françoise, História da Sociologia, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1995.

ROCHER, Guy in http://www.prof2000.pt/users/dicsoc/soc_m.html#mudanca-social, Junho de 2010.


[1] Kellerhals e Montandon in Ana Matias Diogo, famílias e Escolaridade – representações parentais da escolarização, classe social e dinâmica familiar, Edições Colibri, Lisboa, 1998, p. 81.

[2] Anthony Giddens, Sociologia, Fundação Calouste Gulbenkian, 5ª edição, Lisboa, 2007, p. 16.

[3] Conceição Alves Pinto, Sociologia da Escola, McGraw-Hill, Lisboa, 1995, p.93.

[4] Anibal Ponce, Educação e Luta de Classes, Vega, Lisboa, 1979, p. 14.

4 A adaptação é um factor determinante para o modelo de Talcott Parsons. Ou seja, os indivíduos têm que se adaptar à realidade social existente como forma de sobreviverem socialmente e de salvaguardarem a sua integração. A mudança Social não é um factor que Parsons equacione. Charles–Henri Cuim e Françoise Gresle, História da Sociologia, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1995.

sexta-feira, 25 de junho de 2021

“A Miséria do Tempo”: Análise Critica

Introdução

A Miséria do Tempo tem como pano de fundo o período da crise financeira que emergiu primeiro nos EUA e depois se expandiu a todo o mundo. Crise que em Portugal ficou conhecida com a designação de “TROIKA”.

Uma das consequências mais visíveis da crise económica e social é o fenómeno do desemprego. O desemprego atingiu valores nunca alcançados em Portugal (17,5% em 2013) e com ele assistiram-se a situações crescentes de exclusão social.

A investigação que deu origem ao livro pretende perceber as consequências que ainda são vivenciadas após cerca de 10 anos sobre o início da crise.

Os autores pretendem, mais do que avaliar dados estatísticos, dar voz aos atores que vivenciam ou vivenciaram, na primeira pessoa, as consequências da crise. Importa analisar os seus discursos e o seu entendimento subjetivo sobre o mundo social. Para tal, foi utilizada a técnica de entrevista como forma de aceder às representações sociais dos indivíduos ou se preferirmos ao seu conhecimento social.

O estudo tem o foco no desemprego de trabalhadores menos qualificados e com idade a partir dos 40 anos.

Foram entrevistados 46 indivíduos desempregados de ambos os sexos, com uma idade média de 55 anos (mínima 43 anos e máxima 66 anos), residentes nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Alguns dos indivíduos beneficiavam de apoio social no desemprego através da perceção de prestações de desemprego.

Os autores elegeram como objetivo geral da investigação, analisar o modo como o mal-estar tem sido vivido por grupos sociais fortemente afetados pela conjuntura económica. Como objetivos específicos pretenderam compreender a forma como os grupos enfrentaram e percecionaram o impacto do desemprego nas suas próprias vidas e, igualmente, perceber os mecanismos segundo os quais se constroem as várias interpretações da realidade social e as circunstâncias particulares que resultam das dinâmicas macroeconómicas.

O título do livro inspira-se na obra de Bourdieu Miséria do Mundo e visa dar destaque às pequenas misérias acumuladas nos trajetos de vida dos indivíduos, como os baixos níveis de qualificação, a emigração, o subemprego, a precariedade, o trabalho sem direitos, etc. Tudo aquilo que rótula os indivíduos como perdedores e os empurra para a pobreza e exclusão social.

Pretendemos fazer uma análise que conte a “história” do livro, percorrendo todos os capítulos, e não se esqueça do esqueleto que lhe deu forma. Ou seja, os aspetos metodológicos surgem ao longo do texto e nos momentos que julgamos mais adequados. Desta forma, a história irá estar entrelaçada com o referido esqueleto.

A Miséria do Tempo: ENTRE A ACELERAÇÃO E A PARAGEM FORÇADA

O tempo e as pequenas misérias que ele transporta. O tempo como quase uma tortura que fere os indivíduos no seu quotidiano penoso e sem perspetivas de futuro.

Tempo vivenciado de forma diferente e mesmo antagónica por quem tem excesso de trabalho, passando o tempo demasiadamente rápido, e para quem nada tem para fazer em que o tempo parece suspenso.

A aceleração do tempo social e a falta de tempo para desenvolver todas as atividades de tipo profissional, criam uma certa indefinição entre tempo de trabalho e tempo de lazer.

Esta “confusão”, este entrelaçamento, entre tempo de trabalho e não trabalho é intensificada pela utilização de tecnologia suportada pela Internet. O conceito de Homem Unidimensional desenvolvido por Marcuse, como referem os autores, espelha bem o que se passa na sociedade da informação.

É de salientar a observação que os autores fazem relativamente ao facto de em contraponto à aceleração do tempo social, para quem está imerso nas muitas rotinas profissionais, contrastar a cristalização da mobilidade e o acentuar das desigualdades sociais. Ou seja, o passar rápido do tempo não é sinónimo de mudança social, mas antes de reprodução social negativa.

Se o tempo passa de forma voraz para quem tem trabalho, a locomotiva do tempo para abruptamente para quem se vê confrontado com situações de desemprego. O tempo vivenciado por quem está desempregado apresenta contornos diferentes. Para além da questão da perda de vínculos sociais e do surgimento de sentimentos de inutilidade, soma-se a perda de noção de temporalidade. Perda da noção de tempo que resulta do desaparecimento de rotinas e que potencia o isolamento social.

À aceleração do tempo, devido à dinâmica da vida laboral, contrapõe-se a desaceleração provocada por situações de desemprego.

É necessário acrescentar, à dimensão temporal, a precarização da relação laboral. Esta situação cria incerteza e faz expandir a noção de presente para fora dos seus limites.

Precariedade que se acentuou com a crise de 2008, mas que tem raízes mais profundas e que deriva de alterações ao nível dos modelos de organização do trabalho, de opções políticas e da globalização da economia.

Para Beck (2000), o novo sistema caracteriza-se pela customização e pela diversidade. O mercado torna-se global e o trabalho passa a ser precário. O fenómeno do desemprego é assumido como normal tal como a exclusão social que este gera. De uma sociedade em que a certeza era algo sistémico, passa-se para uma sociedade de risco em que nada está certo e tudo é contingencial.

Um outro fenómeno que emerge deste novo modelo é o aumento do desemprego nos escalões etários mais elevados (Castel, 1998). A transição natural do trabalho para a reforma é substituída por uma situação de desemprego que em muitos casos representa a passagem direta para a inatividade devido às dificuldades de regresso ao mercado de trabalho.

O regresso ao emprego de trabalhadores mais velhos e com níveis de escolaridade mais baixos ou intermédios, acaba por se fazer de forma intermitente e através de relações de emprego pouco estáveis e propiciadoras de baixos rendimentos.

Esta, como é destacada na Miséria do Tempo, é igualmente uma consequência, como já referimos atrás, de processos mais complexos em que a globalização e a transferência de atividades económicas industriais para outras latitudes, manda para o desemprego trabalhadores que fizeram todo o seu percurso profissional numa empresa, ou numa atividade industrial tradicional como o calçado ou o têxtil.

Julgamos ser importante definir o que se entende por precariedade laboral. Maria Teresa Serôdio Rosa, considera que emprego “precário tem que ver com a incerteza, a temporalidade, o baixo rendimento, a maior dificuldade, o carácter revogável do local e das condições em que se realiza o trabalho”. (2003, p. 27)

A precariedade cria incertezas no futuro, o desemprego, em particular, de longa duração, cria essencialmente perspetiva de não futuro.

O TEMPO SOCIAL DO DESEMPREGADO: PERFIS DIFERENCIADOS

Os autores operacionalizam o conceito de tempo social segmentando-o em duas dimensões. A primeira designam-na de “tempo in actum” e a segunda de “tempo iter”. A estas duas dimensões fazem corresponder duas categorias: “tempo sem rumo e “tempo reorientado”.

Esta segmentação pretende refletir a forma como os indivíduos percecionam e vivenciam o tempo em período de desemprego.  

Ao tempo “in actum” corresponde o tempo presente. O tempo vivenciado quotidianamente em período de desempego. A forma como os indivíduos o organizam e como o ocupam.

O tempo “iter” é transversal à vida dos indivíduos. Percorre o passado, visita o presente e projeta o futuro. É uma espécie de tempo biográfico em que as diversas dimensões temporais (passado, presente e futuro) são interdependentes.

O discurso abaixo é elucidativo do que os autores entendem por tempo “in actum” sem rumo, vivido de forma fluída:

“Dantes havia aqueles horários a cumprir, era preciso levantar cedo e sair àquela hora. Agora não, é completamente diferente. Uma pessoa que trabalha sabe que se levanta e que tem lá o seu trabalho onde vai estar o dia todo, o tempo todo. E neste caso não é assim. Que há dias que também se torna um vazio. Há dias em que é um vazio, é um desânimo. (E14, Mulher, 49 anos,)”

No exemplo seguinte, os autores pretendem traduzir o que entendem por tempo “in actum” com novas rotinas e reorientado:

“Às 9 estou a pé. Vou para a casa de banho, vou tomar a medicação que eu tomo, depois vou dar uma limpeza à casa, e depois vou tratar do almoço, vou tratar das roupas, vou tratar do que houver para fazer. Vou ver se há pão para ir buscar, lá vai ela ao pão, lá vai ela buscar fruta. (E11, mulher, 66 anos)”

A ideia de tempo “iter” que se consubstancia num tempo sem rumo e de fechamento é transmitida por discursos como o seguinte:

“Não dá para fazer planos [riso]. Não dá para fazer projetos. Quando se tem uma fonte de rendimento, um trabalho e tal, pronto, pode-se projetar umas férias, pode projetar-se qualquer coisa por mais pequena que seja, não é?” (E29, mulher, 47 anos)

Finalmente o tempo “iter” transmite a ideia de que o tempo pode ser reorientado e expressa uma ideia de abertura, de esperança na reconstrução da vida social e da biografia dos indivíduos.

Podemos, pois, concluir que o emprego funciona como uma espécie de pivô que serve para que os indivíduos possam organizar as suas rotinas e a forma como consomem o tempo. Ou seja, o emprego organiza o tempo.

Por outro lado, o emprego estável permite aos indivíduos prever o futuro e desenhar a sua vida.

Se o emprego organiza o tempo, o desemprego desconstrói-o e cria um certo caos.

A desorganização do tempo provocado por períodos de desemprego é traduzida pelo discurso dos indivíduos como pudemos constatar.

Os discursos refletem a dificuldade que os indivíduos têm em lidar com o tempo quando se veem em situações de desemprego. O tempo torna-se um empecilho, algo indesejado.

Contudo, nem todos os indivíduos vivenciam o tempo de desemprego da mesma forma. Em muitos casos, como destacam os autores, o tempo de trabalho é substituído por outros tempos.

As atividades de substituição são boias de salvação que os indivíduos utilizam para não perderem rotinas e para se sentirem vivos.

Mesmo assim, para quem consegue ocupar o tempo e construir novas rotinas, bem como para quem vive agarrado ao tempo em que trabalhava e vive no vazio, o futuro é algo nebuloso. É algo enigmático.

O QUOTIDIANO E A RELAÇÃO COM O ESPAÇO DOMÉSTICO

Se o tempo passa a ser uma variável complexa com a qual os desempregados têm de lidar, o espaço é igualmente um desafio. O espaço da residência dos desempregados passa em muitos casos a funcionar como uma espécie de prisão em que estes se vêm isolados entre quatro paredes. Como os autores referem, o Lar que é sinónimo de tranquilidade, de descanso e de refúgio, passa a ser o oposto. Os dias são sempre iguais e nada de novo se passa.

“Eu em casa sinto-me inútil! Em casa não faço nada. Eu olho para a minha casa, e às vezes digo assim: «estou aqui, não faço hoje, faço amanhã» e a trabalhar eu sei que não é assim, sei fazer as coisas, sei que hoje tenho de estar com atenção (…). E em casa pedi o prazer. Perde-se o prazer, o prazer pela vida, porque todos os dias são iguais, e se não lavar hoje a loiça, lavo amanhã. Entra-se neste ciclo.” (E1, mulher 52 anos)

Como é sublinhado pelos autores, o tempo de clausura passado em casa, quase como numa espécie de instituição total, convoca os indivíduos para pensamentos negativos acerca do seu futuro.

Contudo, o lar pode igualmente ser o ponto de partida para a construção de novas oportunidades, de novas rotinas, de nova vida.

Para que o lar continue a ser encarado como refúgio, lugar de tranquilidade e de bem-estar, os indivíduos evitam permanecer fechados em casa e procuram atividades que subsituam o tempo de trabalho, designadamente através de atividades lúdicas diversas, muitas delas promovidas por instituições de caráter social.

O IMPACTO DO DESEMPREGO NA SAÚDE E NO CUIDAR

A saúde e o desemprego surgem como variáveis que se influenciam mutuamente. O desemprego pode causar situações de doença mental que tornam ainda mais difícil o regresso ao emprego. A saúde é muitas vezes condicionadora de percursos profissionais mais bem-sucedidos, sendo que em muitos casos não se trata da saúde do trabalhador, mas daqueles a quem este tem socialmente o dever de cuidar.

O impacto do desemprego na saúde mental é abordado pelos autores, sendo que a literatura que existe sobre o tema, em particular na área da psicologia, evidencia o impacto negativo que o desemprego traz para os indivíduos, em particular nos primeiros tempos de desemprego. Parece ficar demonstrado que os indivíduos com o passar do tempo conseguem adaptar-se à nova realidade.

Alguns testemunhos de desempregados num estudo efetuado no âmbito de uma dissertação de mestrado, sobre a discriminação etária dos trabalhadores mais velhos, vêm ao encontro desta tese:

“Ao princípio nem quero pensar, até me tirava o sono. Agora já estou habituado à ideia. (…) Ao princípio fui abaixo. Fui abaixo porque nunca pensei ficar desempregado.” (E3, homem, 54 anos, desempregado há 3 anos).

Os fatores apontados como catalisadores da doença mental são de ordem financeira e não financeira, sendo que os resultados de vários estudos apontam para uma relevância mais acentuada dos de ordem não financeira. Fatores como a perda de identidade e de utilidade.

Contudo, como referem os autores, importa ainda destacar a relevância do emprego como elemento central na vida de muitos indivíduos, funcionando como uma fonte de rendimento, na maioria dos casos a única, para que estes possam fazer face às necessidades do dia a dia.

O LADO PESSOAL DO DESEMPREGO: RETRATOS DE ALGUNS PERCURSOS DE VIDA

Neste capítulo os autores pretendem transmitir a ideia de trajetórias de vida que nos dá uma perspetiva sobre os percursos de indivíduos pertencentes a diversos perfis e situações face ao emprego, tais como os desempregados de longa duração, os indivíduos em situação de subemprego, os que estão entre empregos e os que aguardam pela reforma.

Como refere Isabel Guerra (2006, p.40), numa investigação qualitativa não se poder falar de construir uma amostra com representatividade estatística, mas sim com representatividade social. Foi esta a lógica subjacente à construção da amostra por parte dos autores. A mesma é constituída por 46 indivíduos distribuídos pelas categorias acima mencionadas, destacando-se, em particular, o peso dos desempregados de longa duração, com 19 entrevistados e a categoria subemprego, representada por 12 indivíduos.[1]

Nas investigações qualitativas, como aquela que estamos a analisar, não existe uma regra que os investigadores possam seguir relativamente ao número de indivíduos que devem ser entrevistados. A regra mais seguida é a da saturação. Podemos dizer que a “amostra” atingiu a dimensão “perfeita” quando o discurso dos indivíduos deixa de fazer emergir novos dados relevantes para a investigação.

A técnica utilizada foi a entrevista semiestruturada (ou semidiretiva) baseada num guião.[2] Como sublinha Pedro Araújo (2008, p. 73): «(…) é através das palavras que o investigador terá acesso ao mundo dos outros e será com base nestas que dará existência a esse mundo.».

O guião é um instrumento importante no sentido de se garantir a comparabilidade entre as diversas entrevistas. Contudo, deve assegurar-se que o guião não é um constrangimento para os entrevistados e que não os impede de poderem aportar informação relevante para a investigação.

Tal como destaca Isabel Guerra (2006, p. 48), para o êxito das entrevistas um dos fatores mais decisivos é a definição do perfil dos entrevistados. É importante que os mesmos detenham capacidade para verbalizar e exteriorizar as suas representações sobre o tema em estudo.

Os indivíduos entrevistados têm idade superior a 40 anos, escolaridade até ao 12º ano, estão desempregados e podem ou não beneficiar de proteção social no desemprego.[3]

Os autores utilizaram igualmente a técnica de entrevista biográfica para a realização de algumas entrevistas aos indivíduos que constituem a amostra já referenciada. Os retratos biográficos representam cada um dos perfis acima identificados.

As entrevistas biográficas são inspiradas no método criado por Lahire, de retratos sociológicos, em que o indivíduo se constitui como uma espécie de porta voz do grupo social em que se insere.

A análise de conteúdo, do material resultante da transcrição das entrevistas, foi efetuada com o auxílio de um sistema informático: MAXDA

Previamente à realização das entrevistas, os autores utilizaram algumas das instituições frequentadas pelos entrevistados, a maioria IPSS, como uma espécie de mediador institucional que funcionou como facilitador no acesso aos indivíduos. Os indivíduos deram o seu consentimento informado para participarem na investigação, tendo sido respeitados, pelos autores, as demais questões respeitantes a aspetos éticos, designadamente a confidencialidade da identidade dos indivíduos.

MERCADO DE TRABALHO: EXPERIÊNCIAS E REPRESENTAÇÕES

São abordados aspetos como as representações que os desempregados têm sobre o mercado de trabalho, as suas experiências, expectativas e dificuldades no regresso ao trabalho.

Como é salientado pelos autores, apesar de uma certa heterogeneidade ao nível dos itinerários profissionais, designadamente em razão da profissão de cada individuo, da sua experiência profissional e de variáveis geográficas, há alguns fatores que os unem, tais como a idade, a relativa baixa escolaridade e a pouca relevância dada pelos empregadores ao seu trajeto profissional no regresso, ou na tentativa de regresso, ao mercado de trabalho.

“Cada vez mais há uma dificuldade tremenda, ou seja, não é dificuldade. É quase impossível uma pessoa com uma baixa escolaridade, não é? Arranjar trabalho. Porque nós não somos avaliados pelas nossas competências profissionais, não é? Adquiridas ao longo da vida, mas muitas vezes é olham para um CV, habilitações… A idade também é logo um fator, e dos primeiros.” (E29, mulher, 47 anos)

Os discursos dos desempregados muitas vezes salientam o facto de serem exigidas qualificações escolares para o desempenho de certas funções que não são justificáveis. Algo similar diz Robert Castel (1998), a propósito dos trabalhadores mais jovens, ao referir que o aumento de exigência das empresas ao nível das qualificações dos trabalhadores, sem em muitos casos corresponder a exigências de carácter técnico, empurra uma significativa quantidade de jovens para situações de desemprego.

Se alguns desempregados investem na sua escolaridade com o objetivo de afastar um dos obstáculos no regresso ao trabalho, logo outro surge no caminho. Ou seja, a idade é uma das principais barreiras que os indivíduos, a partir de uma determinada idade, têm de enfrentar no regresso ao mercado de trabalho.

“A partir dos 45 anos já somos velhos para trabalhar. (…) É como lhe estou a dizer, é como se fosse velho, é o que eu acho. Pessoalmente é o que eu acho. Como se eu fosse um velho. Não gosto de chamar velho. Pronto, é assim que eu me sinto. A partir dos 45 anos já veem as pessoas de uma maneira.” (E8, homem, 50 anos)

Se a idade é um obstáculo, a experiência profissional que poderia ser entendida como uma mais valia, não é valorizada pelo mercado de trabalho.

Por outro lado, os indivíduos consideram que a principal diferença entre o mercado de trabalho atual e aquele que encontraram quando começaram a trabalhar, é a dificuldade em obter emprego. A transição entre empregos era algo recorrente e presentemente é muito rara.

Os indivíduos percecionam ainda outras alterações estruturais no mercado de trabalho, como a automação, que segundo estes é responsável por muita destruição de emprego, bem como a introdução das tecnologias de informação.

O tipo de vínculo laboral é outra das grandes alterações percecionadas pelos indivíduos. De uma relação de emprego estável, passou-se para vínculos precários.

“Portanto hoje é muito complicado, hoje há muita gente aí a trabalhar na construção, com ordenados, sem férias, sem recibos, sem nada, por 30 euros por dia.” (E3, homem, 59 anos)

É importante fazer menção ao conceito de desemprego utilizado pelos autores. Foi intenção destes, mais do que se ficarem pelas estatísticas oficiais do desemprego e respetivos conceitos, fazer emergir as “pequenas misérias” que resultam de fatores que as estatísticas utilizadas pela medir o desemprego acabam por camuflar. Neste contexto, os autores optaram por utilizar “um indicador denominado «taxa de desemprego redimensionada», através do qual se torna possível analisar uma taxa de desemprego alargada, que contabilize todas as situações que não são equacionadas na taxa de desemprego oficial” (Carmo & D’Avelar, 2020, 18).

Desta forma, é possível perceber o impacto que situações de subemprego, desemprego a tempo parcial e outras formas de precariedade laboral, têm na vida dos indivíduos e como contribuem para potenciar situações de exclusão social. Permite ainda perceber as razões subjacentes à desistência de procurar emprego característica dos indivíduos que são designados como “desencorajados”, característica muitas vezes presente nos desempregados de longa duração.

Os autores referem ainda ser esta a melhor metodologia para a realização de uma investigação de tipo qualitativo.

Julgamos que os autores poderiam, igualmente, ter feito alusão ao desemprego registado. Ou seja, ao conceito utilizado pelo IEFP e que em determinadas situações não abrange os indivíduos em situação de desemprego, apesar destes não terem qualquer atividade profissional, designadamente quando estes estão a frequentar ações de formação ou integrados em medidas ativas de emprego.[4]

FORMAS DE APOIO EM SITUAÇÕES DE DESEMPREGO

Os autores fazem referências às medidas de política pública que visam mitigar os impactos do desemprego, em particular nos períodos mais agudos da crise de 2008.

As medidas passivas, ou reparadoras, consubstanciam-se nas prestações de desemprego, em particular o subsídio de desemprego e o subsídio social de desemprego. Sendo que a taxa de cobertura, em particular do subsídio de desemprego baixou de forma expressiva na pior fase da crise, deixando desta forma uma parte substancial dos desempregados sem proteção social.

Acrescentamos a esta constatação, o facto de em 2012 a legislação de suporte ao sistema de proteção social no desemprego ter sido alterada, tendo sido reduzidos os prazos de proteção no desemprego de forma acentuada, em particular para os escalões etários mais elevados. [5]

Por seu turno, as medidas ativas de emprego visam ativar os desempregados através de várias estratégias, desde a formação profissional, aos programas ocupacionais, medidas de aproximação ao mercado de emprego, técnicas de procura de emprego, etc.

As medidas ativas pressupõem uma contratualização entre os desempregados e o estado, através do serviço público de emprego, em que ficam definidos direitos e deveres e a aplicação de sanções em determinadas situações de incumprimento por parte dos desempregados.

Os autores pretendem perceber os olhares dos desempregados sobre estes apoios e não avaliar a forma como o sistema de proteção social no desemprego está desenhado.

São efetuadas considerações à especificidade do chamado estado social nos países do sul da Europa, nos quais se integra Portugal. Historicamente os países do Sul são muito marcados pela existência de redes de solidariedade familiar que subsituem o estado sempre que este falha.

Considerando que o emprego é a principal fonte de rendimentos da maioria dos indivíduos, importa perceber como estes conseguem “sobreviver” numa situação de desemprego, em particular nos casos de desemprego de muito longa duração, em que a proteção social conferida pelas prestações de desemprego já não existe.

A sobrevivência nestes casos parece ser assegurada pelo recurso a mecanismos informais de proteção social, como os amigos e em particular a família.

Se o apoio material providenciado pelas famílias é importante para a sobrevivência dos indivíduos, a verdade é que a família é igualmente um pilar de extrema importância do ponto de vista emocional e afetivo.

PERSPETIVA SOBRE O «OUTRO»

Pretende transmitir-se a ideia de como os desempregados veem os outros. Em particular os “diferentes”, os imigrantes, os beneficiários de RSI, os “culpados do costume”.

Do discurso dos indivíduos emergem duas categorias opostas. Por um lado, o nós, os que são da nossa “tribo” e o eles que representam uma espécie de inimigo.

Recorrendo à linguagem de Becker, os insiders e os outsiders, ou os normais e os estigmatizados, apropriando-nos do léxico de Goffman.

Um dos alvos mais fáceis são os imigrantes, como representantes dos eles.

Quando questionados sobre quem deveria ter prioridade no emprego, a resposta é clara:

“Aos portugueses, tal e qual! Acho que sim. São do nosso país, nós estamos cá primeiro. Nós nascemos cá.” (E8, homem, 50 anos)

Este comportamento de rejeição dos eles é igualmente praticado pelos nós que estando excluídos da possibilidade de usufruírem de proteção social no desemprego, por terem esgotado o prazo de atribuição das prestações ou por qualquer outro motivo, consideram que os apoios dados a terceiros são ilegítimos e deveriam ser eliminados por parte do governo. São especialmente vítimas deste comportamento, os beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI).

Apesar desta aparente oposição entre nós e eles, também há quem não aceita esta divisão e considera que os imigrantes têm tanto direito ao trabalho como os portugueses, dizendo inclusive que as fronteiras entre países são construções sociais que deveriam ser eliminadas.

“Eu sou a favor da miscelânea. Desde sempre para mim as fronteiras físicas são um disparate, portanto não deve haver fronteiras entre seres humanos.” (E34, mulher, 58 anos)

Considerações Finais

A Miséria do Tempo consegue demonstrar que o desemprego é um fenómeno multidimensional que afeta a vida dos indivíduos em diversos quadrantes.

O trabalho assalariado continua a ser a principal e na maioria das vezes a única fonte de rendimento da maioria dos indivíduos. Sem emprego e consequentemente sem salário, os indivíduos incorrem demasiadas vezes em processos de exclusão social. O trabalho assalariado não é apenas uma fonte de rendimento é também uma instituição social que confere aos indivíduos sentimentos de utilidade e de pertença.

O desemprego dos trabalhadores mais velhos encerra em si características e especificidades. Estes sabem que caindo no desemprego e em particular no desempego de longa duração, dificilmente conseguirão reconstruir a sua biografia e voltar a ter emprego. Pelo menos emprego estável e com direitos.

Os autores, em particular Renato Carmo, têm-se dedicado ao estudo de temáticas como a desigualdade social. Renato Carmo é atualmente diretor do observatório das desigualdades.[6]

A Miséria do Tempo vem na sequência de uma outra investigação levada a cabo por Renato Carmo e por Ana Matias, com o título de «Retratos da Precariedade» (Camo & Matias, 2019) respeitante ao fenómeno da precaridade do emprego dos jovens e a forma como esta afeta o quotidiano e a vida desses indivíduos.

Na Miséria do Tempo o foco está no desemprego e nos trabalhadores de meia idade, com níveis de escolaridade baixos ou intermédios. Como referem os autores “desemprego e precariedade são flagelos sociais contemporâneos que atingem um número crescente de pessoas em idade ativa. (Carmo & D’Ávila, 2020, p. 12). Ou seja, precariedade e desemprego são faces da mesma moeda.

Deve realçar-se da obra que analisámos e sobre a qual estamos a escrever as nossas considerações finais, que a mesma se destaca pelo facto de ter utilizado uma abordagem metodológica intensiva, dando desta forma voz aos indivíduos que são diretamente afetados pela problemática do desemprego. Mais do que ler dados estatísticos, importa perceber que os números correspondem a pessoas com vidas reais.

Destaca-se, igualmente, a utilização de um conceito de desemprego que não “respeita” e vai além da lógica institucionalizada de interpretação do desemprego em estrito senso e de acordo com critérios metodológicos e concetuais do Instituo Português de Estatística. O conceito utilizado «taxa de desemprego redimensionada» que permite destapar uma realidade social camuflada pela taxa de desemprego oficial.

A realização de um Web-documentário é igualmente um traço distintivo desta investigação.

Finalmente, verifica-se que o livro está quase “despido” de uma revisão de literatura e de uma abordagem teórica e concetual o que lhe confere uma maior leveza sem lhe retirar rigor científico.

 

Bibliografia

Araújo, P. (2008). A Tirania do Presente: Do Trabalho para a Vida às Incertezas do Desemprego. Coimbra: Quarteto;

Carmo, R, M., e D´Avelar, M.M. (2020). A Miséria do Tempo: Vidas Suspensas pelo Desemprego. Lisboa: Tinta da China.

Carmo, R.M., e Matias, A.R. (2019). Retratos da Precariedade: Quotidiano e Aspirações dos Trabalhadores Jovens. Lisboa: Tinta da China.

Guerra, I.C. (2006). Pesquisa Qualitativa e análise de Conteúdo: Sentidos e forma de uso. Estoril: Principia Editora;

Beck, U. (2000). The Brave New World of Work. Polity Press: Oxford;

Castel, R. (1998). As metamorfoses da questão social: Uma crônica do salário. Petrópolis: Vozes,

Rosa, M.T.S. (2003). Trabalho Precário Perspectivas de Superação. Lisboa: OEFP.

Legislação

Decreto Lei 64/2012 de 15 de março. Diário da República, N.º 54/2012 — I Série. Lisboa: Ministério da Solidariedade e da Segurança Social: Retirado de https://dre.pt/application/conteudo/553468

SITES

https://www.iefp.pt/documents/10181/273964/Metainforma%C3%A7%C3%A3o/8a9a7a4e-383d-4f19-958b-850c068e8c71

https://ciencia.iscte-iul.pt/authors/renato-miguel-emidio-do-carmo/publications

https://ciencia.iscte-iul.pt/authors/renato-miguel-emidio-do-carmo/cv


[1] 27 mulheres (58,7%) e 19 homens (41,3%). A idade média de 55 anos (mínimo 43 anos; máximo 66 anos). 30 entrevistas realizadas na área metropolitana de Lisboa (indivíduos residentes em 6 zonas diferentes) e 16 na área metropolitana do Porto (numa única zona periurbana). Escolaridade: 1 analfabeto, 12 com o 1º ciclo, 21 com o 2º e 3º ciclos, 12 com o ensino secundário.

 [2] O guião contemplava as seguintes dimensões de análise: Tempo social; quotidiano e relação com o espaço doméstico; atividade substitutiva/alternativa ao emprego; doença e saúde mental; percursos e representações sobre o mercado de trabalho; valor do trabalho e do emprego; acesso e relação com os serviços; apoio familiar; representações sobre «o outro».


sexta-feira, 16 de maio de 2014

O Acabado Silva e a sua Madame foram à China

O Acabado Silva e a sua Madame foram à China.

Esse senhor que só está no poder há cerca de 30 anos e que continua a dizer não ser político foi ate à China acompanhado da sua cara-metade e de mais um batalhão de pretensos embaixadores de Portugal em diversas áreas.

Sinceramente não sei se muitos têm prestado atenção a esta deslocação do decrépito Presidente português a terras do extremo oriente. Eu já não tenho paciência para ver na televisão ou nos jornais as mesmas caras enjoadas do senhor e da sua mulher.

Contudo, foi através da rádio que tive oportunidade de ouvir o Sr. Silva, aquando da sua visita à Cidade Proibida, referir que felizmente já não existem Imperadores e que o poder é do povo.

Esta afirmação poderia não ter grande significado se o Sr. Silva estivesse em visita a um país democrático. Tratando-se da China a coisa muda de figura.

Podemos pois considerar que o nosso confuso Presidente considera a China um país democrático e que o povo é quem tem o destino do país nas suas mãos.

Assim sendo, o Partido Comunista Português e o Cavaco Silva estão de acordo. Se o acordo não é possível de obter em termos de politica interna parece que em matéria de política internacional e no que respeita à China têm posições muito semelhantes.

Vamos ver a posição do Sr. Silva sobre a China se os dirigentes Chineses decidirem tomar nos próximos tempos algumas posições mais imperialistas e menos democráticas.

A verdade é que mesmo na China e cada vez mais na China o capital é o verdadeiro Imperador.
Contudo, a China não mudou. Continua a ter pena de morte, a perseguir os opositores políticos, a escravizar trabalhadores, a desrespeitar as normas ambientais, a ocupar o Tibete, etc.


Quem mudou fomos nós. Tornámo-nos mesquinhos, subservientes, mentirosos, lambe botas, etc. Ou seja, somos uma espécie de “Putas” que fazem tudo a troco de alguns cobres.

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